terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mídia brasileira é G-O-L-P-I-S-T-A

As carpideiras do regime militar
Por Cynara Menezes


WikiLeaks revela documento mostrando
que até o governo americano tratou os
acontecimentos em Honduras como golpe
de estado, enquanto no Brasil falava-se
em "deposição constitucional".

Há uma revelação, entre as tantas que estão vindo à tona com a divulgação dos telegramas confidenciais das embaixadas dos Estados Unidos no mundo pelo site WikiLeaks, que me deixou particularmente satisfeita. Trata-se da admissão oficial pela diplomacia americana de que o que viveu Honduras em junho do ano passado foi um golpe de Estado. G-O-L-P-E, em português claro, como escrevemos em CartaCapital. Em inglês usa-se a palavra francesa “coup”. Ninguém utilizou o eufemismo “deposição constitucional” a não ser os pseudodemocratas locupletados em setores da mídia no Brasil.


É a mesma gente que, quando o governo Lula fala da intenção de regular a mídia, vem com o papo furado de que está se querendo cercear a liberdade de expressão. É o mesmo pessoal que ataca cotidianamente um líder democraticamente eleito e reeleito com palavras vis, mas que, ao menor sinal de revide verbal, protesta com denúncias ao suposto “autoritarismo”do presidente. Jornalistas, vejam só, capazes de ir lamber as botas dos militares em seus clubes sob a escusa de que a democracia se encontra “ameaçada” em nosso país.


Pois estes baluartes da liberdade de imprensa e de expressão no Brasil foram capazes de apoiar um regime conquistado pela força a pouca distância de nós, na América Central. Quando Honduras sofreu o golpe, estes falsos democratas saíram em campo para saudar o auto-empossado novo presidente Roberto Micheletti, que mandou expulsar o eleito Manuel Zelaya do país, de pijamas. Dizem-se democratas, mas espinafraram Lula e seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, por se recusarem a reconhecer um governo golpista. Quem é e quem não é democrata nessa história toda?


Não se engane, leitor. Disfarçados de defensores da democracia, estes “formadores de opinião” são na verdade carpideiras do regime militar. Choram às escondidas de saudades dos generais. Quando se colocam nas trincheiras da “liberdade de expressão” contra o governo, na verdade estão a tentar salvaguardar o monopólio midiático de seus patrões, não por acaso beneficiados pela ditadura. Dizem-se paladinos da imprensa livre, desde que seja aquela cevada pelas graças do regime militar. Não à toa, elogiam quem morreu do lado dos generais e difamam quem foi torturado e desapareceu lutando contra a ditadura.


As carpideiras do golpe se disfarçam sob a máscara dos bons moços, cheios de senso de humor “mordaz” (alguns humoristas de profissão, inclusive) e pretensamente bem formados intelectualmente. Mas não é difícil identificá-las: fique de olho em gente que diz que “todo político é igual”, que despreza o brasileiro com declarações do tipo “somos todos Tiriricas” e que prega o voto nulo nas eleições. Repare bem: prescindir do voto é abrir mão de ser cidadão. Na ditadura, não se votava, lembra? As carpideiras do regime militar tentam se conter, mas volta e meia se traem.


É mais fácil reconhecer uma carpideira dos milicos em tempos de guerra do que de paz. Durante as eleições, foi só surgir a polêmica sobre a descriminalização do aborto que elas mostraram a verdadeira face, erguendo a bandeira da ala mais obscurantista da igreja católica. Com a invasão policial dos morros cariocas no fim de semana, a mais “tchutchuca” entre todas as carpideiras da ditadura teve a desfaçatez de postar no twitter: “E se o BOPE, a Polícia e as Forças Armadas, depois da operação no Rio, fossem limpar o Congresso Nacional?” Nenhum respeito às instituições: é dessa matéria que se fazem os golpistas.


Se foram capazes de colocar o presidente Lula, do alto de sua popularidade, em capa de revista com a marca de um pé no traseiro, é de se presumir que as carpideiras do regime militar não darão trégua a Dilma Rousseff. Já começaram por escarafunchar seu passado de guerrilheira. Que ninguém se engane, as carpideiras estão à espreita. Esperam um deslize qualquer de Dilma para tentar defenestrá-la. Estão louquinhas por uma “deposição constitucional” como a que houve em Honduras, porque jamais admitirão ser o que são: groupies de ditadores. Os papéis do Wikileaks deixam claro, porém, que nem os Estados Unidos se enganam mais com golpistas.


Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.


Leia mais em: Есkердопата


Under Creative Commons License: Attribution

domingo, 28 de novembro de 2010

MORRE O JORNALISTA E ESCRITOR MOACIR WERNECK DE CASTRO

Texto extraído do blog O Esquerdopata

DE SÃO PAULO - No dia 25 de novembro, quinta-feira, morreu no Rio, aos 95, o escritor e jornalista Moacir Werneck de Castro. Militante comunista, trabalhou por 14 anos no jornal "Última Hora" e escreveu livros como "Europa 1935" (Record) e "No Tempo dos Barões" (Bem-Te-Vi), memórias de família, escritas em parceria com sua irmã Maria. Com a saúde debilitada e internado na Clínica São Vicente desde 6/11, para tratar uma pneumonia, teve falência múltipla dos órgãos nesta quinta. Werneck de Castro, que não teve filhos, deixa viúva, a uruguaia Gloria Rodríguez, a "Nené", 80. O corpo será cremado no crematório do Cemitério do Caju, no Rio, no sábado, às 14h30. Não haverá velório.


Moacir Werneck de Castro: A memória de uma geração


LUIZ FERNANDO VIANNA


RESUMO - O jornalista Moacir Werneck de Castro é o remanescente de uma geração que marcou a política e a cultura brasileira. Combateu o primo Carlos Lacerda na "Última Hora" de Samuel Wainer, onde trabalhou por 14 anos. Vive no Leblon com Nené, sua mulher, com quem polemiza, bem-humorado, sobre Chávez, Dilma e Serra.


MOACIR WERNECK DE CASTRO ESTÁ ACOSTUMADO a ser temporão desde o útero. Nasceu 22 anos depois de Luís, o primeiro dos cinco irmãos, e dez após Maria, a quarta da fila. Aos 95, a impressão de estar fora do tempo vem da ausência de quase todos os amigos. "Ele é, absolutamente, um sobrevivente", resume a uruguaia Glória Rodríguez, a Nené, 78, sua companheira de vida, pensamentos e sarcasmos há 53 anos. "Eu sou temporaníssimo. Já era para ter morrido há muito tempo", diz Moacir, cujo humor, ainda que amargo, não sucumbiu aos problemas de saúde.

DIVERTIDO E SOMBRIO


Nos últimos anos, ele passou por fraturas nas duas pernas e três cirurgias em função de um problema gástrico --"nó na tripa", segundo Nené. Esteve mais para o lado de lá no verão de 2009, mas resistiu a ponto de, atualmente, poder caminhar em casa, passear de cadeira de rodas pelo Leblon, onde mora, e ter longas conversas com visitas, quando aproveita para ser tão divertido quanto sombrio.


"Eu queria tomar aquelas cápsulas que os nazistas tomavam quando eram presos. Mas morro de medo de não morrer. Acho patético tentar o suicídio e sobreviver", diz, rindo. "Bobagem! Quem quer morrer não fala", corta Nené. Numa versão bem reduzida da lista de amigos perdidos estão Mário de Andrade, Rubem Braga, Vinicius de Moraes, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Jorge Amado, Sérgio Buarque de Holanda, Lúcio Rangel e Samuel Wainer. A longevidade de Moacir representa um século de escritores, jornalistas e pensadores do país. E um século da história do mundo.


AGREDIDO EM BERLIM


Ele conta no livro "Europa 1935" (Record, 2000), que participou, em Paris, do Encontro Mundial da Juventude contra a Guerra e o Fascismo e, em seguida, foi conhecer Berlim, já nazificada.


Tomando-o por judeu, um grupo de jovens o agrediu certa noite. Foi salvo pelo passaporte de estrangeiro e pelo alemão precário que aprendeu na infância em Blumenau (SC) -para onde fora logo após nascer, em Barra Mansa (RJ). Precisou se esconder da polícia de Getúlio Vargas nas terras da família, no interior fluminense, após a Intentona Comunista de 1935 --da qual não participou, mas seu nome estava no índex.


Já tinha sido preso uma vez, em 1934, ao estrear no jornalismo cobrindo uma confusa assembleia operária para o "Jornal do Povo", projeto de Aparício Torelly, o Barão de Itararé, que durou apenas dez dias. E teria outras passagens pela prisão durante o Estado Novo [1937-45]. Filiou-se ao Partido Comunista em 1947, quando ele voltava à clandestinidade após dois anos de existência legal. "O Jorge Amado me ironizava: 'Você escolheu um bom momento'", lembra.


BARBARIDADES


Escreveu durante anos para o jornal do partido, mas se desfiliou em 1956, com a denúncia do stalinismo feita por Nikita Khruschov. Ressalva que já criticava antes o que acontecia na União Soviética. "Percebia que o amor ao partido justificava as maiores barbaridades."


No Brasil, durante o regime militar [1964-85], ficou mais próximo da oposição moderada do MDB do que da esquerda que resultaria no PT. Na redemocratização, exaltou Tancredo Neves e Ulysses Guimarães em artigos. "É fácil dizer 'sou socialista' e pôr máscara de bonzinho. Mas é preciso analisar a importância de mudanças que não são revolucionárias, mas abrem caminho para revoluções", reflete, sem negar o passado. "Ainda hoje me chamam de comunista.


Não é um xingamento. Já stalinista é complicado." Moacir sempre foi mais um articulista do que um repórter. Como quando foi ao Uruguai em 1979 para ver como estava o país sob a ditadura militar, ou quando esteve no Oriente Médio, em 1982, para entrevistar o líder da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Yasser Arafat, não almejava a neutralidade: posicionava-se. Entre as décadas de 1970 e 90, escreveu principalmente para o "Jornal do Brasil" e a Folha.


ESTIRPE


"Ele é um jornalista político da estirpe de Prudente de Moraes, neto, e Carlos Castello Branco", aponta o crítico Davi Arrigucci Jr., que conheceu Moacir em Cuba nos anos 80, quando ambos foram jurados do prêmio literário Casa de las Américas. "Ele é a memória de uma geração. Com sua prosa, sua capacidade de narrador, tem uma experiência acumulada importante sobre a história social e literária brasileira."


Moacir espelha a história social do país já na própria família. É neto, por parte de pai, do visconde de Arcozelo, Joaquim Teixeira de Castro, e bisneto, por parte de mãe, do barão de Pati do Alferes, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck. Primos entre si, seus pais vivenciaram a derrocada do café. Moacir e os irmãos nunca se livraram do peso de terem antepassados que ergueram fortunas graças à escravidão. "Uma das irmãs se desfez de um brilhante porque disse que eram lágrimas de escravo", conta Nené.


Num manual de administração de uma fazenda de café que publicou em 1847, o barão de Pati do Alferes dá orientações sobre como tratar os escravos. Num trecho citado nos escritos deixados por sua irmã, Maria Werneck de Castro (1905-2000), que Moacir organizou e publicou ("No Tempo dos Barões", Bem-Te-Vi, 2004), há uma possível origem da gíria "encher o saco": "Há também alguns senhores que têm o péssimo costume de não castigar a tempo, e de estar ameaçando o escravo, dizendo-lhe -deixa que hás de pagar tudo junto- ou -vai enchendo o saco, que ele há de transbordar e então nós veremo- e quando lhe parece agarra o pobre negro, dá-lhe uma estafa da qual muitas vezes vai para a eternidade, e por quê? Porque pagou tudo junto!!! Barbaridade! O negro deve ser castigado quando faz o crime".


PRIMO E DESAFETO


Aos 11 anos, órfão de pai -que estudara na Alemanha e terminou a vida em grandes dificuldades financeiras-, Moacir voltou de Blumenau com a mãe para o que sobrara das terras da família. Foi então que se ligou muito ao primo Carlos Frederico Werneck de Lacerda, um ano mais velho.


A união infantil seria rompida em plano nacional. Carlos Lacerda também se indignou com o passado escravocrata da família e escreveu "O Quilombo de Manoel Congo" (1935). Teve formação socialista com Moacir, quando estavam na faculdade de direito no Rio de Janeiro. E os dois trabalharam em "Diretrizes", a revista que Samuel Wainer criou em 1938. Na passagem dos anos 1930 para os 40, Lacerda deu a guinada ideológica que faria dele um dos mais importantes políticos conservadores brasileiros.


A amizade com Samuel foi rompida, e Moacir assumiu posição pública contra o primo. "Não era pessoal, era uma coisa política. Eu esculhambava o Carlos nos meus textos. O Fernando [Sabino] e o Otto tentaram fazer as pazes, mas eles mesmos diziam que o Carlos estava muito diferente", relembra. Moacir trabalhou por 14 anos (chegou a redator-chefe) na "Última Hora" de Samuel Wainer, o jornal com o qual Lacerda e sua "Tribuna da Imprensa" travaram uma guerra célebre.


"Só vim a conhecer o Moacir depois da morte do meu pai, mas ele nunca foi referido lá em casa de forma negativa. O problema se tornou pessoal, mas não era pessoal na origem", conta o editor Sebastião Lacerda, que ganhou de Moacir uma foto dos dois primos andando a cavalo na chácara da família, em Vassouras (RJ), em 1937.


NÃO, LYGINHA


O rótulo "escritor", no sentido de ficcionista, nunca se aplicou a Moacir, que se limitou a publicar um poema e um conto em jornais quando jovem. Não foi por falta de insistência que não se aventurou na ficção. Lygia Fagundes Telles, que o namorava nas férias de verão no Rio, tentou. "Foi na idade da pedra lascada, eu era uma mocinha completamente imatura.


Achava que só prestava escrever ficção, e dizia para ele: 'Essa crônica dá um conto'. Ele só falava: 'Não, Lyginha'. Meus conselhos não resultaram em nada", conta a escritora. Lygia teve de lidar com a oposição da mãe ao namoro. "Ela tinha medo, porque diziam que ele era comunista. Eu o achava muito culto, generoso. Fiquei com uma admiração profunda."


BOLÍVAR E CHÁVEZ


A publicação em livro só se tornou regular após os 70 anos. Em 1988, escreveu "O Libertador - A Vida de Simón Bolívar" (Rocco). A admiração pelo líder venezuelano que tentou unir a América no início do século 19 não se estende ao atual presidente do país, Hugo Chávez, e à sua "República Bolivariana".


"Chávez tenta se aproveitar [do legado de Bolívar], mas não consegue. Ele simplifica Bolívar, que é complexo", opina. "Mas minha mulher é chavista... Não me venha com seu chavismo para cima de mim", diz, em provocação a Nené.


Em 1989, saiu "Mário de Andrade - Exílio no Rio" (Rocco), narrativa original sobre os três anos cariocas (1938 a 41) do autor de "Pauliceia Desvairada". Moacir era um de seus companheiros de chope. O livro sofreu críticas por não ressaltar o homossexualismo de Mário, assunto que não considerou prioritário. "Ele nunca se insinuou para nenhum de nós", diz.

BICHO DE CONCHA


A reunião de textos publicados na imprensa, "A Ponte dos Suspiros" (Rocco) foi lançada em 1990. Em resenha na Folha, Otto classificou Moacir de "mais amigo da penumbra do que das luzes da ribalta". "O Otto o chamava de 'bicho de concha'", diz Nené.


Hoje, com poucos amigos por perto, Moacir está mais na concha. Mas, como nunca deixou de fazer, pretende votar em outubro. "Na Dilma, de jeito nenhum." Sofre pressão da mulher para escolher José Serra, amigo de Nené há 40 anos.

"E tenho muita simpatia pela Marinazinha, coitadinha."


Dispensando óculos, tem prazer em ler jornais, reler cartas de amigos e, sem perder a modéstia, voltar a alguns textos que publicou. "Eu vejo umas coisas que eu escrevi em 70, 80... Não é que eu escrevia direitinho?"

(http://esquerdopata.blogspot.com/)

SOS PARQUE DA ÁGUA BRANCA

AUDIÊNCIA MARCADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO
 SOBRE O PARQUE DA ÁGUA BRANCA


O Promotor de Meio Ambiente do Ministério Público de São Paulo, Dr. Washington Luiz, agendou para dia 30/11, terça, 18h, uma audiência pública para discutir os problemas apontados pelo Movimento SOS Parque da Água Branca na condução e execução dos projetos e intervenções do Governo do Estado no Parque da Água Branca.

Enviaremos novo e-mail com mais informações. Divulgue esta audiência pública para todos que defendem que o Parque da Água Branca seja respeitado e preservado.


30/11 - terça feira, 18h - Parque da Água Branca - Espaço Tatersal.

www.parquedaaguabranca.blogspot.com

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

NOAM CHOMSKY:DEZ ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO

HÉLIO RODRIGUES ENVIOU ESTE TEXTO PARA MYLTAINHO&AMANCIO E A GENTE REPASSA
O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “Dez estratégias de manipulação” através da mídia:


1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.


O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.


2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.


Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.


3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.


Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.


4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.


Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.


5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.


A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.


6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.


Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…


7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.


Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.


8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.


Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…


9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.


Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!


10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.


No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

REFORMA DOS PERGOLADOS - POSIÇÃO DO MOVIMENTO SOS PARQUE DA ÁGUA BRANCA

Prezados/as, bom dia.


A próxima reunião do Movimento SOS Parque da Água Branca está agendada para sábado, dia 27/11, 10h. Neste mesmo dia e horário, está agendada a apresentação, pelo Fundo Social - FUSSESP, do Projeto de reforma e alteração de uso dos Pergolados.


Estaremos presentes na reunião de apresentação do projeto para manifestar nossa posição em relação as alterações dos Pergolados, por meio de um comunicado do Movimento SOS Parque da Água Branca. Também enviaremos esse comunicado para a imprensa, blogs, Conselhos de Defesa do Patrimônio, Ministério Público e Parlamentares.


O Projeto de Reparação, restauro, adaptação e conservação dos Pergolados I e II, cuja a elaboração do projeto executivo já foi contratada pela Casa Civil/FUSSESP, prevê, entre outras, demolição parcial e alteração de uso, e criação de uma arena fechada para realização de eventos, em flagrante desrespeito aos tombamentos do Condephaat e Conpresp, que protegem o Parque.


Contamos com a sua presença nessa reunião para manifestar a sua posição.
sábado, 27/11, 10h. Auditório Paulinho Nogueira, Parque da Água Branca.


Parque da Água Branca: a caixinha de surpresas do governo estadual


Após a derrubada de árvores sadias e protegidas como patrimônio histórico e ambiental, ameaça aos mananciais contidos no parque e a falta de cuidado aos pavões, patos e pássaros abrigados no Parque, a mais nova surpresa promovida pelo governo do Estado no Parque da Água Branca é a demolição parcial do pergolado - estrutura de suporte a uma cobertura vegetal florida, contendo bancos de descanso à sombra em seu interior.


O pergolado deixará de ser um espaço belo, florido e sombreado aberto a todos para se transformar num auditório fechado, de gosto e qualidade duvidosos, aberto só quando, e para quem o governo estadual quiser.


É evidente a intenção de elitização, tanto da aparência quanto da frequência do parque. Eliminação da vegetação cerrada por motivos de segurança, fechamento do pergolado, transformação do tattersal em auditório chique, colocação de "ombrellones" italianos na área de leitura, cujo cardápio de leitura privilegia as grandes editoras que apóiam o governo.


Ao contrário da Sala São Paulo - que transformou uma antiga estação ferroviária numa sala de concertos preservando sua arquitetura - onde a acústica foi considerada pelo arquiteto Nelson Dupré, autor do projeto, como a "esposa mandona" que não podia ser contrariada, o novo auditório previsto para ocupar o pergolado será precário em conforto acústico tanto do lado de fora quanto dentro. Próximo da rua, será invadido pelo barulho dos ônibus, e quem procura o parque para "ouvir o silêncio" será obrigado a ouvir o barulho que for produzido pelo auditório.


O Movimento SOS Parque da Água Branca - que congrega pessoas e entidades ambientalistas e de defesa do patrimônio histórico - acionou o Ministério Público estadual para impedir essas obras, por considerá-las ilegais até mesmo com a aprovação do Condephaat - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado. Além dele, o parque é igualmente tombado pelo órgão municipal de proteção ao patrimônio histórico - o Compresp - que também foi acionado.


Além de agredir os patrimônios ambiental e histórico da cidade e do estado de São Paulo, a reforma do Parque esbarra também em questões de gestão pública. As obras estão sendo conduzidas em conjunto pelo Fundo Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural e pela Secretaria de Estado da Agricultura. O Fundo de Solidariedade deveria se dedicar à assistência social às camadas mais necessitadas da população. Sua atividade mais famosa é a promoção da Campanha do Agasalho, que todos os anos recolhe doações de roupas durante o inverno. A função da Secretaria da Agricultura é promover a pesquisa, a produção, a distribuição e comercialização de alimentos. Nenhuma das duas missões é compatível com a construção de auditórios de luxo - ainda que precários - promoção de audições e concertos em áreas nobres e, principalmente, com o desrespeito ao meio ambiente e à história da cidade e do estado.






Artigo publicado no blog do Movimento SOS Parque da Água Branca


Comente! Divulgue!


www.parquedaaguabranca.blogspot.com


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-mudancas-no-parque-da-agua-branca


dia 02/agosto/10 - CONDEPHAAT aprova com ressalvas, o "projeto de Reparo e adaptações de uso do local denominado Pergolado" (processo 62297/2010, ata 1589, ofício 1567/2010 de 09/08/10).


dia 30/outubro/10 (sábado) - publicado no Diário Oficial do Estado o Pregão Eletrônico para a contratação de "projeto executivo de Reparação, restauro, adaptação e conservação dos Pergolados I e II" (14/2010). Prazo de execução 120 dias


dia 30/outubro/10 (sábado) - ASSAMAPAB e Movimento SOS Parque da Água Branca receberam do FUSSESP, DVD com cópia do projeto de Restauro e Adaptações do Pergolado.


dia 12/novembro/10 - abertura das propostas do pregão eletrônico para contratação de projeto executivo pela Casa Civil / FUSSESP


dia 17/novembro/10 - publicado no DOE a homologação do certame licitatório (vencedora Empresa HARUS Construções)


dia 27/novembro/10 - Reunião agendada pela Assamamapb com o FUSSESP para apresentar o Projeto de Restauro e Adaptações do Pergolado para os frequentadores do Parque. Auditório Paulinho Nogueira, Parque da Água Branca.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O PLANO DE EUA E ISRAEL PARA DESTRUIR O HEZBOLLAH

DO BLOG DO BOURDOUKAN

Franklin Lamb, Al-Manar, Beirute


“Empurramos esses [apagado] para onde queremos que fiquem, Maura! Agora, assista, enquanto fatiamos o Hezbollah em mil pedaços. Quem pensam que são? Usaremos a [Resolução do Conselho de Segurança da ONU n.] 1.757 e, dessa vez, acabaremos o serviço. Disse a Israel para ficar longe do Líbano, porque o exército de Israel não pode derrotar o Hezbollah e incendiariam toda a região. Vou cuidar disso. Será meu presente de Natal ao Líbano” – disse Jeffrey Feltman em conversa com sua ex-assessora e hoje embaixadora dos EUA no Líbano Maura Connelly, em visita dia 17/10/2010 ao deputado Walid Jumblatt em sua casa.

Dia 12/12/2008, Naharnet.com noticiou que “o ex-embaixador Jeffrey Feltman dos EUA entregou ao primeiro-ministro Fuad Siniora o que o diplomata norte-americano descreveu como seu presente pessoal de Natal ao Líbano. Mr. Feltman garantiu ao primeiro-ministro Siniora que forçará Israel a retirar-se da vila de Ghajar antes do final de 2008.”


De fato, nem o primeiro-ministro Fuad Siniora nem o Líbano jamais receberam o prometido presente para o Natal de 2008, e as tropas e tanques de Israel continuam na cidade libanesa de Ghajar, apesar da crescente pressão para por fim à ocupação do norte de Ghajar, que, em clara violação do que dispõe a Resolução UNSCR 1.701, Israel invadiu em julho de 2006 e de onde, desde então, recusa-se a sair.


Em 2010, nesse final de ano, Jeff volta ao tema do Papai Noel. Outra vez está garantindo aos seus aliados libaneses que o bom velhinho lhes trará de presente a cabeça do Hezbollah, para adornar a árvore de Natal. O motivo de tanto otimismo é que EUA e Israel estão convencidos de que conseguirão, com a Resolução n. 1.757, o que tentaram mas não conseguiram com a Resolução n. 1.559 – que visava a tirar da Resistência Libanesa as suas armas de defesa. Dia 11/11, o vice-premier e ministro do Desenvolvimento Regional de Israel Silvan Shalom previu que “depois de condenado pelo Tribunal Especial da ONU para o Líbano, o Hezbollah será obrigado a cumprir o que determina a Resolução n. 1.559. Desarmado o Hezbollah, assistiremos ao colapso da aliança Síria-Líbano-Irã-Turquia”.


O grande troféu seria Hasan Nasrallah


Pelo que já se sabe, o novo projeto de EUA-Israel foi elaborado a partir de modelos estratégicos que, dentre outros pressupostos, assumem que vários membros do Hezbollah, inclusive provavelmente também o secretário-geral Hassan Nasrallah, serão indiciados, julgados e condenados, in absentia é claro, por envolvimento no assassinado, dia 14/2/2005, do primeiro-ministro libanês Rafiq Hariri.


O gabinete do Conselheiro Jurídico do Departamento de Estado dos EUA tem repetido vaidosamente, na Casa Branca, que essas novas possibilidades são produto da insistência daquele departamento, em 2005, para que se instituísse um Tribunal Especial para o Líbano nos termos do Cap. 7º da Carta da ONU. Esse Cap. 7º autoriza uso de força armada internacional ilimitada para fazer cumprir sentenças de Tribunais Especiais, no caso, do Tribunal Especial para o Líbano.


Israel, violador serial de leis internacionais – inclusive de mais de 60 Resoluções da ONU – também não tem perdido ocasião de proclamar seu apoio integral às decisões do Tribunal. Já declarou que as mais conceituadas bancas de advogados do mundo podem ser mobilizadas a qualquer momento para assessorar o trabalho da acusação no Tribunal Especial para o Líbano comandada por Daniel Bellemare do Canadá.


Poucas horas depois de Israel ter dado instruções à secretária de Estado Clinton, no sentido de que ninguém teria o que temer, porque não haveria meios para deter o Tribunal ou evitar que a sentença condenasse o Hezbollah, bastando para tanto que os EUA garantissem meios financeiros para o funcionamento do Tribunal, a Casa Branca anunciou dotação extra de 10 milhões de dólares e conseguiu que a Grã-Bretanha acrescentasse mais 1,8 milhão. Ainda se espera a contribuição da França. Hoje, o Tribunal Especial do Líbano está bem suprido de dinheiro e assim continuará até a conclusão dos trabalhos.


Conforme declarações obtidas em entrevistas com dois altos funcionários do Gabinete da Procuradoria do Tribunal Especial do Líbano, confirmadas por declarações oficiais de funcionários do governo norte-americano, há boas razões para acreditar que Jeffrey Feltman e Silvan Shalom farão o que for preciso para “acabar o serviço”. Os dois governos têm repetido que o Tribunal Especial do Líbano é legítimo nos termos da legislação internacional, uma vez que foi instituído por Resolução do Conselho de Segurança, fundamentada no disposto no Cap. 7º da Carta da ONU e nos princípios constitucionais do Líbano, ao contrário de tudo que o Hezbollah e os inimigos do Tribunal têm declarado.


Segundo um dos advogados do Departamento de Estado dos EUA, “Se o Tribunal Especial para o Líbano indiciar e condenar um único membro do Hezbollah, nós ganhamos. Um motorista, um menino de recados, não faz diferença. Isso feito, o Conselho de Segurança tem vários meios para paralisar o Hezbollah. Por exemplo: e se se aplicarem sanções econômicas ao estilo das que se aplicaram contra o Irã, mas contra o Líbano, para perdurarem até que o Hezbollah entregue os condenados? Os libaneses só pensam em dinheiro. Com essas várias seitas matando-se umas às outras, em pouco tempo o país estará dividido; o passo seguinte será a guerra civil. Se, além disso, racionarmos a comida deles e forem obrigados fazer dieta... E se se aplicarem sanções contra a Síria? Restará a EUA e Israel só o trabalho de varrer os cacos e fazer o que já deveríamos ter feito há meio século: instalar por aqui governos que realmente entendam as realidades regionais e internacionais.”


Telavive e Washington consideram fúteis os esforços de Hezbollah e Síria para impedir que prossigam os trabalhos do Tribunal Especial para o Líbano, porque entendem que a opinião do Líbano sobre o TEL não seria relevante. O Tribunal foi instituído pelo Conselho de Segurança da ONU e nada que o Parlamento, o Gabinete ou o povo libanês tenham a dizer terá qualquer efeito. O Líbano só continuaria a aparecer na fotografia como a cena do crime. E porque alguns dos suspeitos vivem no Líbano. Exceto por isso, o Líbano é considerado completamente irrelevante no trabalho do TEL.


Assessor do Congresso dos EUA já disse que “Usaremos todas as ferramentas e meios, intimidação e outros meios com que a comunidade internacional conta para destruir o Hezbollah. Na próxima etapa, nem se verá grande envolvimento dos EUA e de Israel. Apenas assistiremos ao jogo das arquibancadas. Caberá à ONU tomar e fazer valer todas as decisões legais e políticas para prender todos os que sejam julgados e condenados. Aí está o xis da questão, e motivo pelo qual o Hezbollah está muito, muito preocupado. Se não está, deveria estar.”


Outro assessor da mesmo gabinete acrescentou, em mensagem por e-mail: “Está bem claro: o TEL é o instrumento legal internacional perfeito para destruir o Hezbollah, derrubar o governo na Síria, criar conflitos insolúveis entre sunitas e xiitas por toda a Região, provocar uma guerra civil no Líbano e derrubar os Mulás no Irã. Será como se Cheney continuasse no comando.”


Depois das condenações pelo TEL, dado por garantido que incluirão membros do Hezbollah, fontes em Washington contam com que Israel lance a mais massiva e cara campanha de propaganda pela mídia internacional, de difamação do Hezbollah, da Síria e do Irã, campanha à qual se unirá o governo dos EUA e de alguns de seus aliados europeus, além da sempre aproveitável Micronesia.


O objetivo da campanha será unir a opinião pública mundial contra os supostos assassinos xiitas de um primeiro-ministro sunita. Mais de uma dúzia de projetos conjuntos de EUA-Israel que fracassaram no Líbano na última década, desde a base aérea em Kleiat a tumultos de rua para encobrir ações de sabotagem dos cabos de fibra ótica das telecomunicações, poderão voltar a ser tentados, depois que receberem o sinal verde da lei internacional e o aval de plena legitimidade do Conselho de Segurança da ONU.


O projeto incluir reforçar as ameaças públicas de que Israel está pronto para atacar o Líbano, apesar de o Pentágono saber que Israel não tem condições de enfrentar o Hezbollah libanês e dificilmente voltará a tê-las, dentre outros fatores porque a opinião pública regional e internacional já se manifesta contra qualquer nova agressão que parta de Israel.


Segundo o Deputado Kamel al-Rifai, do Bloco Parlamentar Lealdade à Resistência, o vice-secretário de Estado dos EUA para Assuntos do Oriente Próximo Jeffrey Feltman, o ministro das Relações Exteriores da França Bernard Kouchner, e o senador John Kerry dos EUA informaram o governo do Líbano, em recente visita a Beirute, que há risco real e iminente de Israel atacar o Líbano. Al-Rifai disse ao jornal Asharq al-Awsat, dia 15/11/2010, que o Hezbollah já tem informações de que o governo dos EUA liberou Israel para agir como melhor lhe parecer em relação ao Líbano. O Deputado al-Rifai disse também que a mesma mensagem foi passada também ao governo da Síria.


Por todas essas razões, o Tribunal Especial para o Líbano está sendo considerado como oportunidade extraordinariamente favorável para que EUA e Israel retomem o controle na Região. Na campanha de propaganda pela mídia, os ataques serão centrados contra Sayed Nasrallah – que EUA e Israel temem, porque veem nele, simultaneamente, um líder político de prestígio e estatura semelhantes aos de Nasser e, ao mesmo tempo, um líder muçulmano que inspira respeito em todo o globo.


Sayed Nasrallah é visto como líder político com potencial para unificar as muitas cisões entre xiitas e sunitas – por isso, precisamente, Washington e Telavive consideram-no extremamente perigoso.


O que pensa o Hezbollah

Dia 11/11/2010, o secretário-geral do Hezbollah, Sayed Hassan Nasrallah falou sobre o Tribunal Especial para o Líbano, em cerimônia do Dia dos Mártires, realizada na área sul de Beirute. Falou sobre o projeto EUA-Israel e explicou aos que se reuniram para ouvi-lo a estratégia de EUA-Israel, que o Hezbollah já analisou detalhadamente:

“O Tribunal Especial para o Líbano foi criado para acusar xiitas pelo assassinato do mais importante líder sunita da Região; em seguida, o TEL deve condená-los e expedir mandato de prisão. Pedirão então ao governo do Líbano, que tem acordos firmados com os EUA para esses casos, que prendam os condenados. Para prendê-los, o exército libanês terá de enviar soldados e forças de segurança contra a Resistência. Assim, nossos inimigos contam com provocar uma guerra civil no Líbano.”


E Nasrallah continuou:


“Em linhas gerais, o plano é esse. Nem os EUA, nem a entidade sionista e os financiadores do TEL têm qualquer preocupação com o que aconteça ou possa acontecer ao Líbano. O Líbano em si não é importante. De fato, nem o mártir Hariri, nem os sunitas, nem os xiitas, nem muçulmanos, nem cristãos, nem o Movimento Futuro, nem o Bloco 14 de Março, nem o Bloco 8 de Março, nada disso tem qualquer importância para os EUA. A única coisa que importa aos EUA é “Israel”. E Israel tem muito interessem em ferir a Resistência, em nos eliminar, isolar, enfraquecer. Israel tem interesse, sobretudo, em separar a Resistência de suas legítimas bases populares – por isso, precisa distorcer a imagem da Resistência. As crenças, os princípios morais e o desejo da Resistência têm de ser destruídos. Por isso construíram esse plano: pensando em forçar a Resistência a render-se.”


Pouco depois, outro deputado do Hezbollah no Parlamento libanês, Nawaf Mousawi, falou diretamente à mídia:


“O Partido da Resistência está preparado para todos os cenários. Nada que façam ou tentem surpreenderá o Hezbollah. Estamos preparados para vários tipos de respostas. A cada alternativa, corresponde um cenário. Se as coisas tomarem o rumo que nos interessa, estamos preparados. Mas se as coisas tomarem rumo que não nos interessa, e falharem todos os nossos esforços para superar a crise criada pelo inimigo, também estamos preparados. Tentem o que tentarem, sempre encontrarão a Resistência preparada e a postos”, disse Mousawi.

http://almanar.com.lb/NewsSite/NewsDetails.aspx?id=162696&language=en*

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A PERSEGUIÇÃO A PROTOGENES É A ABSOLVIÇÃO DE DANTAS

Ana Niemeyer nos enviou este texto e nós repassamos.

estarrecedor !

Protógenes prendeu Dantas duas vezes e Gilmar soltou Dantas duas vezes
O Conversa Afiada tem o prazer de republicar o artigo do Antero, Vermelho:
Luiz Carlos Antero: A incômoda biografia de Protógenes

Desde as duas prisões e condenação do banqueiro Daniel Valente Dantas, em julho de 2008, comemoradas em todo o País, uma surreal perseguição foi iniciada contra Protógenes Queiroz, o homem que logrou atingir uma forte simbologia das elites rentistas do País após extensas e profundas investigações.

Por Luiz Carlos Antero*

O momento culminante e mais recente dessa invertida e grotesca caçada foi a anunciada condenação em primeira instância (“por fraude processual e violação de sigilo funcional a três anos e quatro meses de prisão – pena substituída pela prestação de serviços comunitários”) do deputado eleito pelo PCdoB, justamente pelas alegadas circunstâncias em que logrou produzir as provas contra o banqueiro, duas vezes devidamente algemado.

Mas, agora, o fato mais curioso e revelador foi o encadeamento orquestrado de diversas ações simultâneas que buscam atenuar a vida do banqueiro e cristianizar Protógenes por “erros” cometidos nas investigações.

Nassif e a “coincidência”

O primeiro a atentar para o fato foi o jornalista Luiz Nassif, que, em seu blog, indicou a sequência de acontecimentos que poderiam ser “coincidência”: “Agora se tem, simultaneamente, a) o livro do Raimundo Pereira (NR: “O Escâ ndalo Daniel Dantas: duas investigações”, apresentado como uma crítica a Protógenes); b) a ofensiva midiática de jornalistas ligados a Dantas, procurando repercutir o máximo possível o livro; c) a suspensão do julgamento de Ricardo Sérgio pelo STF, em cima de operações envolvendo Daniel Dantas; d) a sentença de Ali Mazloum”.

Longe de alimentar uma “folha corrida” para Protógenes, os que o perseguem por ter algemado Dantas, conseguiram produzir mais uma contribuição para sua biografia efetivamente política, turbinada por suas bem sucedidas investigações da bilionária evasão fiscal e da fraudulenta progressão da dívida externa no governo FHC.

Biografia incubada

Quando o Vermelho publicou o artigo “Um Dantas por cem Valérios” no dia 12/05/2006, não se imaginava qu e essa biografia já estivesse incubada e em plena fermentação.

Para se converter numa evidência nacional, Protógenes penetrou cirurgicamente o fétido ambiente do capital em sua feição mais moderna, dissociada da sociedade e de suas instâncias produtivas, atingindo o cerne do protegido segredo tucano e das corrosivas elites brasileiras.

Com isso, cumpriu um prodigioso serviço ao povo brasileiro, que consistiu em tocar fundo nas sequelas ocasionadas pela era neoliberal. E, nesse propósito, simbolicamente algemou em duas ocasiões o sistema que confrontou nas ousadas investigações sobre as estripulias em andamento no sistema financeiro.

Até ali, contribuíra para fundar um grêmio estudantil, em pichações no tempo do regime militar (“Terrorismo é ditadura que mata e tortura”), defender eleições diretas, o poder civil, o ensino público de qualidade, um jornal de resistência; foi delegado a um Congresso da UNE, em 1980; op tou por cursar Direito, estagiou em defensoria pública, estabeleceu contato com os movimentos sociais, Contag, Via Campesina, conviveu com velhos comunistas; processou a construtora Queiroz Galvão por corrupção; largou uma rentável banca de advocacia para se tornar delegado da polícia federal (antes “uma guarda pretoriana do regime militar”); lutou para fechar contas CC5, encontrou o caminho do confronto com empreiteiras e banqueiros, com o capital financeiro, esbarrou no “sistema”, recusou propina milionária, passou a ser ameaçado de execução, sofreu atentados e não se rendeu.

A CIA com a Kroll no caminho

Protógenes deu de cara com figuras notórias — a exemplo de Fernando Henrique Cardoso, Jorge Bornhausen, Armínio Fraga, Reinhold Stephanes —, nas descobertas das fronteiras e limites de sua ação institucional contra o “sangramento” de divisas do país.

Na PF, prendeu diversos meliantes de col arinho branco, entre os quais o contrabandista Law Kim Chong, o ex-governador Maluf, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e, mais recentemente, o empresário Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, durante a mais importante das operações contra corrupção já ocorrida no Brasil.

No percurso, descobriu na “Kroll” uma empresa americana de espionagem, uma estação privada da CIA no Brasil. E, nesse braço da espionagem, serviços ao grupo Opportunity, à BrasilTelecom, ao banqueiro que depois algemou. E, ainda, esteve no ambiente de uma empreitada para investigar a Kroll, a Operação Chacal.

Mensalão”: penetras no banquete

Nesta Operação, quando ficou evidente que Daniel Dantas usava a Kroll (e, portanto, a CIA) para espionar adversários, surgiram todas as iniciativas para lacrar um HD apreendido do Opportunity, no STF (Supremo Tribunal Federal), com o respaldo da ministra Ellen Gracie. A decisão conteria por cerca de dois anos a investigação.

Foi quando surgiu o chamado “mensalão”, que permitiu aos tucanos e a aliados do então PFL, jogar sobre os ombros de outros protagonistas mais recentes, que também se vincularam ao banqueiro, responsabilidades sobre as quais tiveram historicamente total exclusividade.

O fato foi descrito nos moldes daquele banquete no qual os novos “penetras”, pilhados em confraria, foram incriminados e publicamente expostos e ridicularizados numa CPI que manteve incólumes Dantas e seus patrocinadores nas privatizações da era FHC.

Venda do país in natura

Protógenes penetrou, desse modo, na complexa capilaridade formada em torno do banqueiro ao longo de 20 anos, com o especial protagonismo de Fernando Henrique Cardoso. Debruçou-se sobre numerosas descobertas, a exemplo de uma empresa de exploração de mineração (de Dantas), a MG4, que reunia inà ºmeras concessões de exploração de solo urbano.

E declarou numa entrevista à revista Caros Amigos: “É necessário você ter uma força muito grande dentro do governo. Eles já estavam ofertando a empresa lá fora, no Oriente Médio. O intermediário era o Naji Nahas. Isso significa vender nosso país in natura”.

Quando a Operação Satiagraha já estava na pauta dos noticiários, o jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu blog Conversa Afiada, anunciou que Dantas não estava interessado em fazendas, mas em seu subsolo.

Com base em revelações do MST, PHA afirmou: “Aos que não entendem o interesse de Daniel Dantas em fazendas do Pará, cabe explicar que o objetivo dele não é criar gado. Por trás da fachada agropecuária, Dantas e a Vale do Rio Doce estão em processo de reconcentração fundiária, com o objetivo de investir em mineração (…). O MST chama a atenção para o fato de o Sul e o Sudeste do Pará constituírem uma grande região mineradora. Nos últimos cinco anos, Daniel Dantas comprou 52 fazendas em oito municípios, num total de 800.000 hectares. Entre elas, encontram-se as fazendas Maria Bonita, Espírito Santo e Cedro, ocupadas pelos sem-terra, que são áreas públicas, compradas de forma ilegal. Há poucos dias, um conflito entre seguranças e milicianos armados a serviço de Dantas na fazenda Santa Bárbara foi testemunhado por um cinegrafista da Globo, que viajou em avião de Dantas”.

Dívida artificial e fraudulenta

Mas a pirataria no subsolo foi apenas um aperitivo revelado num panorama maior. “Tem a dívida externa, que é a coisa mais nojenta que já vi”, afirmou Protógenes. E aí chegou novamente ao ambiente consolidado no governo Fernando Henrique Cardoso, onde se sustentou a cumplicidade e comando fundamental para a consagração, no período pós-ditadura, de uma dívida artificial, inflada e fruto da especulação com títulos da dívida pública brasileira, vendidos a 15% (e menos) de seu valor de face, e à base das manipulações em dólar.

Daí resultou a sangria formada por uma dívida substancialmente arranjada e pela evasão de divisas, com a permissividade do Banco Central brasileiro. E, a exemplo do caso Paribas (Alberto participações), com a conversão de títulos da dívida na gestão Armínio Fraga — um episódio no qual FHC esteve envolvido pessoalmente.

“Nossa dívida externa é artificial e eu provei isso na investigação. Houve repulsa minha porque quando era estudante empunhei muita bandeira ‘Fora FMI’, ‘Nós não devemos isso’, ‘A dívida já está paga’. E foi muito jato d’água, muita cacetad a, muito gás lacrimogêneo: ‘bando de doido, tem que tomar porrada’. Você cresce achando que era um idiota, não é? Chega um momento que pensa: ‘a dívida foi criada no regime militar, mas a gente precisa pagar’”.

Evasão tresloucada de divisas

O delegado que comandou a operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, revelou, na investigação sobre Dantas, indícios de desvios de cerca de US$ 16 bilhões do Brasil para paraísos fiscais no exterior. Em janeiro de 2009, foram bloqueados US$ 2 bilhões que haviam sido enviados ao exterior pelo grupo Opportunity “na maior paralisação da movimentação dos ativos suspeitos da história do Brasil”.

As investigações contra o grupo Opportunity passaram a existir em quatro países. Em ordem cronológica, os bloqueios se deram no Brasil, a partir de setembro, por decisão do juiz Fausto De Sanctis, num volume de quase meio bilhão de dólares; na Inglaterra (US$45 milh ões), Suíça e Estados Unidos, totalizando quase US$ 3 bilhões. Durante as investigações, evidenciou-se que o dinheiro desviado era dos cofres públicos e da corrupção, desde as privatizações.

Orquestração para o desmonte

Com revelações assim, sórdidas e de tal monta, o processo investigativo sofreu novas ameaças de estagnação. Sucessivas defecções retiraram suporte de Protógenes para contê-lo na investida contra Dantas — que, na segunda prisão, ameaçou “falar”. Ficou evidente a orquestração. E alguém lhe disse: “Protógenes, se o Daniel Dantas falar, eu prefiro que ele fique preso”.

Protógenes considerava que no STJ (Superior Tribunal de Justiça) “estava tranquilo”, mas após estruturar a segunda prisão, não pensava que o STF (Supremo Tribunal Federal) “iria contrariar toda a opinião pública, todas as regras jurídicas, todas as normas processuais”, soltando rapidamente o banquei ro contraventor por decisão inspirada pelo ministro Gilmar Mendes. E não imaginava encontrar diante de si “um poder sem precedentes”.

Concluiu: “Foram sucessivos atos que dão conta de que ele é uma pessoa muito poderosa e que esse poder viria com uma velocidade e uma força que se moveria contra quem quer que se opusesse a esse grupo, um grupo de interesses determinado, um segmento bem solidificado durante a redemocratização, que construiu um poder criminoso; um PC Farias que deu certo”.

Entretanto, a coragem registrou-se numa das inúmeras narrativas da proeza final – na matéria publicada pelo Terra Magazine: “O senhor está preso”, diz delegado a Dantas – que descreve a segunda prisão de Daniel Dantas diante de uma dezena de advogados e desembargadores aposentados.

Em cena, o livro sobre Dantas contra Protógenes

Com tal biografia e tantas evidências que favorecem a defesa dos interesses do País e do povo brasileiro, quem arremeteria contra Protógenes sob o pretexto de que teria cometido erros na investigação?

Uma das respostas veio no próprio do sítio da Federação Nacional dos Policiais Federais (Funapef), onde um texto informou: “Um artigo do respeitado jornalista Raimundo Pereira na revista Piauí, intitulado ‘Protógenes e eu’, fustiga o conhecido delegado e candidato a deputado federal pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no Estado de São Paulo. Denso, o texto pergunta: ‘Quem é Daniel Dantas, que interesses ele representa?’”

O sítio diz que “Raimundo Pereira não entra nos méritos dessas respostas, no artigo”, mas, sobre a publicação, destaca um trecho da sua Introdução: “Este livro é uma crítica ao trabalho do delegado Protógenes Queiroz na condução da famosa Operação Satiagraha, que levou à prisão Daniel Dantas, desde então, a mais famosa figura dos meios financeiros do país”.

Um outro comentário, assinado por Thiago Domenici, comenta: “Este livro tem uma conclusão política. Ela surge a partir de uma investigação jornalística feita para entender a razão dos erros gritantes de uma investigação policial”.

O sítio Conjur, afirma, entre outras pérolas, em artigo assinado por Mauricio Cardoso: “Para Raimundo Pereira, a transformação de Daniel Dantas no bode expiatório de todos os males do Brasil foi uma decisão política do presidente Lula. (…) O livro funciona mais ou menos como um Habeas Corpus da informação. Ele não prova a inocência de Daniel Dantas, mas tenta mostrar que o maior escândalo financeiro do país foi, na verdade, a maior campanha política, policial, judicial e midiática feita no país contra um cidadão”.

Mas nem aí houve consenso: uma diretora do Opportunity, Maria Amalia Coutrim, não concordou com a interpretação e se manifestou indignada com a resenha, afirmando que o autor não respeitou as conclusões de Raimundo e foi “contaminado” pelo pensamento de Protógenes.

Forte inspiração tucana

Na verdade, todos os pressupostos levantados apontam para o mesmo falso dilema típico das armações das campanhas tucanas — a exemplo desta que todo o Brasil presenciou nas eleições de 2010: busca-se converter a verdade em mentira e seu autor em réu, ou a mentira em verdade mediante artifícios que consagram o meliante em vítima ou heroi.

A condenação de Protógenes Queiroz deve ser assim qualificada e compreendida em sua real dimensão. Não somente para produzir efeitos de solidariedade, mas para que se compreenda que sua ação esteve à altura de um brasileiro que atua em defesa do País e honra o seu povo, mostrando coragem, ousadia, destemor naquele perfil que destaca “os melhores filhos do povo”.

E não encontra paralelo na chamada “oposição”, que não conhece limites: “Senti vontade de prendê-lo a terceira vez. Quase que o prendi. Tinha um fato para poder prendê-lo, mas iria criar uma crise. Já tinha manifestação em frente ao Supremo Tribunal Federal, membros dos três poderes uns acusando os outros, determinado grupo político querendo criar uma nova situação, um passo atrás”.

Protógenes, ao que tudo indica, optou por dar um passo adiante.



* Luiz Carlos Antero é jornalista, escritor, colunista e membro da Equipe de Pautas Especiais do Vermelho

terça-feira, 16 de novembro de 2010

PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL HOMENAGEIA O BRASIL DE LULA




JOSÉ SÓCRATES

Lula era o homem certo; sem complexos
ou desfalecimentos, o antigo
sindicalista esperou e preparou
longamente o encontro com o seu povo


Raros são os políticos que dão o seu nome a um tempo. Os “anos Lula” mudaram o Brasil. É outro país: mais desenvolvido economicamente, mais avançado tecnologicamente, mais justo socialmente, mais influente globalmente.


Uma democracia mais consolidada, uma sociedade mais coesa e mais tolerante. Sabemo-lo hoje: no Brasil, o século 21 começou em 1º de janeiro de 2003, o dia inaugural da Presidência de Lula.


Quero ser claro: Lula mostrou que a esquerda brasileira sabe governar. Causas, sim, mas competência também; princípios políticos, mas também eficácia técnica; realismo inspirado por ideais que nunca se perderam.


Este presidente, oriundo do PT, deu à esquerda brasileira credibilidade, modernidade, força e maturidade. A grande oportunidade da sua eleição não foi uma promessa incumprida ou um sonho desfeito.


Ao contrário, com Lula, a esquerda ganhou crédito e consistência; o Brasil, reputação e prestígio.


Sou testemunha das reservas, se não do ceticismo, com que a “intelligentzia” recebeu a eleição de Lula da Silva. Hoje, na hora do balanço, a descrença transmutou-se em aplauso; a expectativa, em admiração. É essa a “alquimia” Lula.


Os números falam por si: crescimento econômico, equilíbrio financeiro, reputação nos mercados, milhões de pessoas arrancadas à extrema pobreza, salto inédito na educação e na formação profissional, melhoria do rendimento que alargou e consolidou a classe média brasileira.


Lula era o homem certo. A sua história pessoal e política permitiu dar à esquerda uma nova atitude e ao Brasil um novo horizonte. Sem complexos e sem desfalecimentos, o antigo sindicalista esperou e preparou longamente o encontro com o seu povo. Se falhasse, não falharia apenas ele: falharia um ideal, um sonho, um projeto, esperança do tamanho de um continente.


Foi também nesses anos vitais que o Brasil se afirmou como o grande país que é. “Potência emergente”, como é habitual dizer, assume-se -e vai se assumir cada vez mais- como um dos grandes países que marcam o mundo contemporâneo. Pela sua grandeza e pela sua energia, tem tudo o que é necessário para isso.


Portugal tem orgulho deste grande país, com quem partilha uma língua, uma fraternidade, um passado, um presente e um futuro. Tudo isso queremos valorizar e projetar: aos sentimentos que nos unem, juntamos os interesses que nos são comuns; à memória conjunta associamos visão partilhada do futuro.


Para Portugal e para todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a importância do Brasil no mundo do século 21 é um motivo de alegria e uma riqueza imensa, com potencialidades em todos os planos: econômico, cultural, linguístico, político, geoestratégico.


A vida política de Lula é uma longa corrida feita com ritmo, esforço, persistência. As palavras que ocorrem são tenacidade e temperança, clássicas virtudes da política. Tenacidade para fazer de derrotas passadas vitórias futuras. Temperança que lhe ensinou a moderação, o equilíbrio e a responsabilidade que o tornaram o presidente que foi.


Na hora da despedida, quero prestar-lhe, em meu nome pessoal e em nome do governo português, uma homenagem feita de amizade, reconhecimento e admiração. Lembro os laços que firmamos, os projetos que comungamos, os encontros que tivemos, nos quais se revelou, invariavelmente, um grande amigo de Portugal.


Lembro, em especial, o trabalho que desenvolvemos para que durante a presidência portuguesa da União Europeia fosse possível a realização da primeira cúpula UE-Brasil, um ponto de viragem nas relações entre a Europa e o Brasil.


Na passagem do testemunho à presidente eleita, Dilma Rousseff, que felicito vivamente e a quem desejo as maiores felicidades, renovo a determinação de prosseguirmos juntos e reafirmo, na língua que nos é comum, o nosso afeto e a nossa gratidão. Mais do que nunca, “o meu Brasil é com “S’”. “S” de Silva.


Lula da Silva. Saravá!


JOSÉ SÓCRATES é o primeiro-ministro de Portugal.

Publicado na Folha de S.Paulo.

domingo, 14 de novembro de 2010

CARTA DE ENGELS A MARX

DEU NO BLOG DO BOURDOUKAN






Em carta a Marx, Engels diz que as sagradas escrituras hebraicas são registros árabes


Tudo começou há oito anos quando o saudoso Sérgio de Souza, fundador e diretor da Revista Caros Amigos, me telefona para dizer que tinha em mãos um texto de Engels a Marx que o deixara impressionado.

E que deixaria a mim muito mais ainda.


Na ocasião Sergio estava realizando a leitura final do livro Socialismo, uma utopia cristã ( 1.150 páginas – Editora Casa Amarela), do procurador da República Luiz Francisco F.de Souza( pequeno perfil do autor AQUI).
Cheguei à redação de Caros Amigos e confesso que fiquei fascinado com a revelação do texto, eu que pensava já ter lido tudo do grande amigo de Marx.


Perguntei então ao Sérgio se ele conseguiria o original da carta. Imediatamente remeteu fax ao procurador que respondeu, no mesmo dia, enviando uma cópia, ainda em meu poder.


E outro dia, consultando o livro, eis que surge novamente o fax. E como na era da Internet praticamente tudo é acessível, realizei uma consulta pelo Google.


Dito e feito, localizei a correspondência e a repasso a quem tiver interesse.


Segue abaixo, o trecho da correspondência, como foi publicada no livro à pagina 333, e mais abaixo, o endereço eletrônico, em inglês, para copiar.


De Engels a Marx: (...)


“Agora está completamente claro para mim que as chamadas sagradas escrituras hebraicas não passam de registro das antigas tradições religiosas e tribais árabes, modificadas pela precoce separação dos hebreus dos seus vizinhos, parentes de tribos, mas nômades”.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

DIALOGO ENTRE FDPS

Por Mylton Severiano



Lenildo Tabosa Pessoa (1935-1993), jornalista do Estadão, foi grande quadro da direita. O jornalão dos Mesquitas se vangloriava de acolher tanto “seus comunistas” quanto “seus direitistas”. Tinha Lenildo e tinha, como colaborador, o então petista Helio Bicudo.

Um dia, Bicudo esperava o elevador para ir embora quando a porta abre e lá dentro vê Lenildo, que o cumprimenta:

“Boa tarde, excelência.”

Bicudo responde:

“Não cumprimento filho da puta.”

E Lenildo:

“Mas eu cumprimento: boa tarde, excelência.”

A porta fechou e o elevador foi embora. Moral da história, agora que Bicudo renega o partido que ajudou a fundar e ainda tenta denegrir sua imagem: fdp reconhece outro fdp mesmo que esteja disfarçado.



Promotor pede prisão de delegado


que prendeu jornalista injustamente

EM 2006, quando assinava a seção Enfermaria na Caros Amigos, defendi o jornalista Claudio Machado, que toca com um irmão e a mãe o jornal Folha de Capivari – cidade paulista onde nasceu a pintora modernista Tarsila do Amaral (1886). Claudio agora me escreve:

Acusado de fraude no sistema informatizada do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), o ex-delegado de Capivari Bruno Jacinto de Almeida Júnior, responsável pelo setor quando trabalhou neste município, foi investigado pelo promotor de justiça Cássio Conserino, que pertence ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado).

Bruno trabalhava no mesmo ramo em Peruíbe, litoral paullista. Prossegue Claudio que o delegado vinha excluindo multas beneficiando motoristas de Praia Grande. Diz Claudio:

Segundo informações dos responsáveis da Gaeco, Bruno teve gastos superiores a mais de 200 mil reais só no ano passado, incompatível com o salário de delegado.

Bruno ficou conhecido em 2006 por prender Claudio Machado, numa ”ação armada por outro delegado, licenciado, Vicente do Prado, prefeito do município vizinho de Rafard. Acolhi a defesa de Claudio e, mais tarde, ficou provado que o jornalista não havia praticado extorsão contra o prefeito de Rafard, conforme havia acusado o prefeito e delegado Vicente. Aliviado, Claudio escreve:

Pessoas de Capivari, Rafard, Mombuca, Rio das Pedras e até Piracicaba ligaram para o jornal para dizer uma frase da Bíblia:

“Aqui se faz. Aqui se paga.”

BLOG DA FOLHA COM A MATÉRIA COMPLETA

http://folhadecapivari.blogspot.com/

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

AGORA É QUE COMEÇA A LONGA MARCHA



foto amancio chiodi


Por Mylton Severiano



A vitória de Dilma Roussef me lembra a sapiência (chinesa) do Mao Tsetung, ao vencer em 1949 o exército reacionário de Chiang Kaichek. Não estou querendo comparar a vitória da Revolução Chinesa com a vitória de Dilma, embora enxerguemos semelhanças e guardemos as proporções: nos dois casos surgiu cada pedra no meio do caminho que, no nosso caso, por vezes eu vi a viola em cacos, assim como aconteceu em diversos momentos com Mao e seus homens na Longa Marcha; e igualmente as forças do progresso e do avanço da humanidade, aqui como lá, enfrentaram inimigos sórdidos, em certos momentos, cruéis mesmo. E, por aqui, sandices de pôr em risco as instituições de alto a baixo e confusão mil vezes maior que aquela provocada pela renúncia de Janio Quadros em agosto de 1961, que precipitou o golpe militar de 1964.


Bem observou Janio de Freitas (FSP 2 de novembro de 2010) que coube a José Serra “o ato mais irresponsável e injustificável de toda a sucessão”: aceitar como vice um patife como Índio da Costa, que ele sequer conhecia, desqualificado como político e como gente – nas palavras de Janio de Freitas, “atrabiliário, violento, político recente, sem credenciais de talento especial ou maior competência”. Enfim, “um cocô-boy”, no dizer de nosso amigo Palmério Dória, que observou mais: Índio foi criado junto com Rodrigo Maia, presidente dos demos, filho de Cesar Maia, o trânsfuga, que caiu fora da jogada e sequer recebeu Serra quando foi ao Rio, deixou o Índio segurar essa bucha.


Janio, o jornalista, põe em foco algo a que quase ninguém prestou atenção, a escolha do vice, “ato de extrema responsabilidade”, pois em caso de impedimento de Serra por algum “incidente” (68 anos), “Índio da Costa era um risco de calamidade”. De mais essa escapamos. E até do papa nazi!


Mas por que comecei o texto lembrando a vitória de Mao e o que ele disse em 1949? Aconteceu que o Exército Vermelho vencedor merecidamente se pôs a comemorar. E ao cabo de alguns dias Mao chamou todos às falas, já festejamos, mas está de bom tamanho o festejo:“O mais difícil começa agora.”


E Dilma foi descansar até domingo. Depois de passar três meses matando um leão por dia, ela merece. Só que agora começa o mais difícil. Segurar as conquistas e avançar. Se cada um de nós que lhe demos o voto puser “um tijolinho que falta nessa construção”, a gente avança.

É a busca de novos valores, estúpido!

Marco Antonio Villa, professor universitário de Ciências Sociais, escreveu na FSP de quarta 3/11/2010 artigo carregado de despeito pela vitória de Dilma Rousseff. Encaixa-se a si mesmo nos 44% que “disseram não” à primeira mulher a governar o país. Dá a receita para a oposição chegar lá, num pensamento desejoso – como o do galo, que pensa que o dia nasce porque ele cantou. O professor quiquiriqui sugere que a oposição organize um gabinete-fantasma – com quem? Com Serra e Índio da Costa? E que crie um projeto alternativo para o Brasil – mas a oposição ficou “lá” oito anos vendendo tudo quanto podiam de nossos bens para pagar a dívida que deixaram maior ainda!


Para fechar o artigo com chave de ouro, Villa lança mão de Monteiro Lobato, que acusou nossos estadistas de “raramente pensar com os miolos” – mas Lobato falava da República Velha, não é mesmo, professor? E Villa aproveita para pegar carona numa celeuma atual, e acusar o “lulismo” de perseguir Lobato, como o fez a “ditadura Vargas”. Que sofisma chinfrim. O que li na própria FSP:


1. O Conselho Nacional de Educação, atendendo a parecer de uma conselheira, resolveu recomendar que escolas públicas não recebam o livro infanto-juvenil Caçadas de Pedrinho


2. Os conselheiros ficaram incomodados com uma frase, segundo a notícia, em que Tia Nastácia, com medo da onça, sobe numa árvore como “uma macaca de carvão”. Consideram a frase “preconceito”. Bem, se Tia Nastácia fosse branca e trepasse na árvore que nem macaca de giz, tudo bem, não?


3. Outra frase citada é “Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens”. Revoltado, escrevi uma mensagem tuitada por Palmério Dória: Baixou Goebbels no Conselho Nacional de Educação: querem proibir Caçadas de Pedrinho de Lobato por uma frase considerada preconceituosa.


Mas, francamente, diante do que estão dizendo conselheiros sobre o livro e intelectuais como Marco Antonio Villa, sobre o veto ao livro e sobre a vitória de Dilma, a frase de Lobato sobre a semelhança entre macacos e certos humanos é bastante verdadeira.


Não é só a economia, não!


O mote da campanha de Bill Clinton em 1992, “É a economia, estúpido”, quando respondeu a Bush pai sobre qual era o foco de seu plano de governo e com isso se saiu vitorioso, virou lugar comum citado até hoje por metidos a sabichões.


A última campanha eleitoral suscita tema novo e igualmente importante, talvez mais ainda que apenas economia. O adversário de Dilma rebaixou a campanha o tempo todo, ora com zombarias (o boneco feminino do brinquedinho Babushka comum entre os povos eslavos, aludindo à origem búlgara de Dilma, é mostrado oco quando se refere à então candidata), ora com preconceito contra a mulher (Ela não vai dar conta), ou a baixaria ominosa, execrável, da ex-mulher de Serra saindo por aí a dizer que Dilma era a favor de matar criancinhas – a hipócrita, pois soube-se a seguir que ela cedeu à pressão do então marido e praticou um aborto, ela própria, na mocidade.


O nível da campanha tucana era o mesmo do que temos visto na temporada – alunos de Medicina, portanto universitários (?), a promover o Rodeio das Gordas, “cavalgando” suas colegas e medindo o tempo para ver quem “ganhava”, ou seja, quem ficava mais tempo “no lombo”, e um dos acanalhados, Roberto Negrini, a dizer que era apenas “brincadeira”, “diversão”; a estudante de Direito (?) Mayara Petruso, identificada como a praticante do crime de incitação ao crime, que disparou na internet mensagem dizendo que “nordestino não é gente” e pedindo que “façam um favor a SP, matem um nordestino afogado”, enraivecida com a derrota de Serra. São apenas dois exemplos, do acanalhamento vigente em certos estratos médios e altos, enquanto entre os pobres reina a pichação de escolas, a depredação, os suburbanos homofóbicos que chegam a matar gays.


É preocupante. Não nos esqueçamos de que mais de 40 milhões votaram contra Dilma. É uma quantidade enorme de brasileiros, que, votando em Serra, no mínimo fazem vista grossa às suas grosserias e, mesmo, atitudes trapaceiras como fingir-se ferido por uma bolinha de papel ou rolo de fita adesiva.


Que tal se, quando alguém perguntar na próxima campanha eleitoral qual é a proposta, a gente responder:


“É a busca de novos valores, estúpido!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

COLONOS JUDEUS QUEIMAM IGREJA NA PALESTINA

deu no blog do bourdokan
E lá vamos nós de novo.Israel não dá trégua.
Colonos judeus fanáticos continuam fazendo das suas impunemente.
Depois de destruir oliveiras palestinas, queimar mesquitas, destruir e profanar cemitérios islâmicos, agora escolheram os cristãos para serem suas vitimas.
Queimaram uma igreja centenária.
E a heresia aconteceu no campus da Universidade Bíblica da Palestina.
E como sempre acontece nessas ocasiões, as autoridades israelenses simplesmente nada fizeram para deter os vândalos.
O que estranho mesmo é o silêncio do papa, tão loquaz quando se trata de eleições brasileiras e caladinho quando queimam igrejas.

EDITORIAL - DILMA PRESIDENTE

AGORA É QUE COMEÇA
A LONGA MARCHA


Por Mylton Severiano
Fotos Amancio Chiodi


A vitória de Dilma Roussef me lembra a sapiência (chinesa) do Mao Tsetung, ao vencer em 1949 o exército reacionário de Chiang Kaichek. Não estou querendo comparar a vitória da Revolução Chinesa com a vitória de Dilma, embora enxerguemos semelhanças e guardemos as proporções: nos dois casos surgiu cada pedra no meio do caminho que, no nosso caso, por vezes eu vi a viola em cacos, assim como aconteceu em diversos momentos com Mao e seus homens na Longa Marcha; e igualmente as forças do progresso e do avanço da humanidade, aqui como lá, enfrentaram inimigos sórdidos, em certos momentos, cruéis mesmo. E, por aqui, sandices de pôr em risco as instituições de alto a baixo e confusão mil vezes maior que aquela provocada pela renúncia de Janio Quadros em agosto de 1961, que precipitou o golpe militar de 1964.

Bem observou Janio de Freitas (FSP 2 de novembro de 2010) que coube a José Serra “o ato mais irresponsável e injustificável de toda a sucessão”: aceitar como vice um patife como Índio da Costa, que ele sequer conhecia, desqualificado como político e como gente – nas palavras de Janio de Freitas, “atrabiliário,  violento, político recente, sem credenciais de talento especial ou maior competência”. Enfim, “um cocô-boy”, no dizer de nosso amigo Palmério Dória, que observou mais: Índio foi criado junto com Rodrigo Maia, presidente dos demos, filho de Cesar Maia, o trânsfuga, que caiu fora da jogada e sequer recebeu Serra quando foi ao Rio, deixou o Índio segurar essa bucha.
Janio, o jornalista, põe em foco algo a que quase ninguém prestou atenção, a escolha do vice, “ato de extrema responsabilidade”, pois em caso de impedimento de Serra por algum “incidente” (68 anos), “Índio da Costa era um risco de calamidade”. De mais essa escapamos. E até do papa nazi!

Mas por que comecei o texto lembrando a vitória de Mao e o que ele disse em 1949? Aconteceu que o Exército Vermelho vencedor merecidamente se pôs a comemorar. E ao cabo de alguns dias Mao chamou todos às falas, já festejamos, mas está de bom tamanho o festejo:
“O mais difícil começa agora.”

E Dilma foi descansar até domingo. Depois de passar três meses matando um leão por dia, ela merece. Só que agora começa o mais difícil. Segurar as conquistas e avançar. Se cada um de nós que lhe demos o voto puser “um tijolinho que falta nessa construção”, a gente avança.


DEPOIMENTO

Teresinha Matos nos enviou este texto publicado no blog Viomundo, assinado pelo neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, criador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal, (RN), e indicado ao Prêmio Nobel de Medicina, em 2008. E a gente repassa.




Uma coisa estranha aconteceu na noite 
passada em Natal


Desde que cheguei ao Brasil, há duas semanas, eu vinha sentindo uma sensação muito estranha. Como se fora acometido por um ataque contínuo da famosa ilusão, conhecida popularmente como déjà vu, eu passei esses últimos 15 dias tendo a impressão de nunca ter saído de casa, lá na pacata Chapel Hill, Carolina do Norte, Estados Unidos.


Mas como isso poderia ser verdade? Durante esse tempo todo eu claramente estava ou São Paulo ou em Natal. Todo mundo ao meu redor falava português, não inglês. Todo mundo era gentil. A comida tinha gosto, as pessoas sorriam na rua. No aeroporto, por exemplo, não precisava abrir a mala de mão, tirar computador, tirar sapato, tirar o cinto, ou entrar no scan de corpo todo para provar que eu não era um terrorista. Ainda assim, com todas essas provas evidentes de que eu estava no Brasil e não nos EUA, até no jogo do Palmeiras, no meio da imortal “porcada”, a sensação era a mesma: eu não saí da América do Norte! Mesmo quando faltou luz na Arena de Barueri durante o jogo, porque nem a 25 km da capital paulista a Eletropaulo consegue garantir o suprimento de energia elétrica para um prélio vital do time do coração do ex-governador do estado (aparentemente ninguém vai muito com a cara dele na Eletropaulo. Nada a ver com o Palmeiras), eu consegui me sentir à vontade.


Custou-me muito a descobrir o que se sucedia.


Porém, ontem à noite, durante o debate dos candidatos a Presidência da República na Rede Record, uma verdadeira revelação me veio à mente. De repente, numa epifania, como poucas que tive na vida, tudo ficou muito claro. Tudo evidente. Não havia nada de errado com meus sentidos, nem com a minha mente. Havia, sim, todo um contexto que fez com que o meu cérebro de meia idade revivesse anos de experiências traumatizantes na América do Norte.


Pois ali na minha frente, na TV, não estava o candidato José Serra, do PSDB, o “partido do salário mais defasado do Brasil”, como gostam de frisar os sofridos professores da rede pública de ensino paulistana, mas sim uma encarnação perfeita, mesmo que caricata, de um verdadeiro George Bush tropical. Para os que estão confusos, eu me explico de imediato. Orientado por um marqueteiro que, se não é americano nato, provavelmente fez um bom estágio na “máquina de moer carne de candidatos” em que se transformou a indústria de marketing político americano, o candidato Serra tem utilizado todos os truques da bíblia Republicana. Como estudante aplicado que ainda não se graduou (fato corriqueiro na sua biografia), ele está pronto para realizar uns “exames difíceis” e ser aceito para uma pós-graduação em aniquilação de caracteres em alguma universidade de Nova Iorque.


Ao ouvir e ver o candidato, ao longo dessas duas semanas e no debate de ontem à noite, eu pude identificar facilmente todos os truques e estratégias patenteados pelo partido Republicano Americano. Pasmem vocês, nos últimos anos, essa mensagem rasa de ódio, preconceito, racismo, coberta por camadas recentes de fé e devoção cristã, tem sido prontamente empacotada e distribuída para o consumo do pobre povo daquela nação, pela mídia oficial que gravita ao seu redor.


Para quem, como eu, vive há 22 anos nos EUA, não resta mais nenhuma dúvida. Quem quer que tenha definido a estratégia da campanha do candidato Serra decidiu importar para a disputa presidencial brasileira tanto a estratégia vergonhosa e peçonhenta da “vitória a qualquer custo”, como toda a truculência e assalto à verdade que têm caracterizado as últimas eleições nos Estados Unidos. Apelando invariavelmente para o que há de mais sórdido na natureza humana, nessa abordagem de marketing político nem os fatos, nem os dados ou as estatísticas, muito menos a verdade ou a realidade importam. O objetivo é simplesmente paralisar o candidato adversário e causar consternação geral no eleitorado, através de um bombardeio incessante de denúncias (verdadeiras ou não, não faz diferença), meias calúnias, ou difamações, mesmo que elas sejam as mais absurdas possíveis.


Assim, de repente, Obama não era mais americano, mas um agente queniano obcecado em transformar a nação americana numa república islâmica. Como lá, aqui Dilma Rousseff agora é chamada de búlgara, em correntes de emails clandestinos. Como os EUA de Bill Clinton, apesar de o país ter experimentado o maior boom econômico em recente memória, foi vendido ao povo americano como estando em petição de miséria pelo então candidato de primeira viagem George Bush.


Aqui, o Brasil de Lula, que desfruta do melhor momento de toda a sua história, provavelmente desde o período em que os últimos dinossauros deixaram suas pegadas no que é hoje o município de Sousa, na Paraíba, passa a ser vendido como um país em estado de caos perpétuo, algo alarmante mesmo. Ao distorcer a verdade, os fatos, os números e, num último capítulo de manipulação extremada, a própria percepção da realidade, através do pronto e voluntário reforço do bombardeio midiático, que simplesmente repete o trololó do candidato (para usar o seu vernáculo favorito), sem crítica, sem análise, sem um pingo de honestidade jornalística, busca-se, como nos EUA de George Bush e do partido Republicano, vender o branco como preto, a comédia como farsa.


Não interessa que 26 milhões de brasileiros tenham saído da miséria. Nem que pela primeira vez na nossa história tenhamos a chance de remover o substantivo masculino “pobre” dos dicionários da língua portuguesa. Não faz a menor diferença que 15 milhões de novos empregos tenham sido criados nos últimos anos. Ou que, pela primeira vez desde que se tem notícia, o Brasil seja respeitado por toda a comunidade internacional. Para o candidato da oposição esse número insignificante de empregos é, na sua realidade marciana, fruto apenas de uma maior fiscalização que empurrou com a barriga do livro de multas 10 milhões de pessoas para o emprego formal desde o governo do imperador FHC.


Nada, nem a realidade, é capaz de impressionar os fariseus e arautos que estão sempre prontos a enxovalhar o sucesso desse país de mulatos, imigrantes e gente que trabalha e batalha incansavelmente para sobreviver ao preconceito, ao racismo, à indiferença e à arrogância daqueles que foram rejeitados pelas urnas e vencidos por um mero torneiro mecânico que virou pop star da política internacional. Nada vai conseguir remover o gosto amargo desse agora já fato histórico, que atormenta, como a dor de um membro fantasma, o ego daqueles que nunca acreditaram ser o povo brasileiro capaz de construir uma nação digna, justa e democrática com o seu próprio esforço. Como George Bush ao Norte, o seu clone do hemisfério sul não governa para o povo, nem dele busca a sua inspiração. A sua busca pelo poder serve a outros interesses; o maior deles, justiça seja feita, não é escuso, somente irrelevante, visto tratar-se apenas do arquivo morto da sua vaidade, o maior dos defeitos humanos, já dizia dona Lygia, minha santa avó anarquista. Para esse candidato, basta-lhe poder adicionar no currículo uma linha que dirá: Presidente do Brasil (de tanto a tanto). Vaidade é assim, contenta-se com pouco, desde que esse pouco venha embalado num gigantesco espelho.


Voltando à estratégia americana de ganhar eleições, numa segunda fase, caso o oponente sobreviva ao primeiro assalto, apela-se para outra arma infalível: a evidente falta de valores cristãos do oponente, manifestada pela sua explícita aquiescência para com o aborto; sua libertinagem sexual e falta de valores morais, invariavelmente associada à defesa do fantasma que assombra a tradição, família e propriedade da direita histérica, representado pela tão difamada quanto legítima aprovação da união civil de casais homossexuais. Nesse rolo compressor implacável, pois o que vale é a vitória, custe o que custar, pouco importa ao George Bush tupiniquim que milhares de mulheres humildes e abandonadas morram todos os anos, pelos hospitais e prontos-socorros desse Brasil afora, vítimas de infecções horrendas, causadas por abortos clandestinos.


George Bush, tanto o original quanto o genérico dos trópicos, provavelmente conhece muitas mulheres do seu meio que, por contingências e vicissitudes da vida, foram forçadas a abortos em clínicas bem equipadas, conduzidas por profissionais altamente especializados, regiamente pagos para tal prática. Nenhum dos dois George Bushes, porém, jamais deu um plantão no pronto-socorro do Hospital das Clínicas de São Paulo e testemunhou, com os próprios olhos e lágrimas, a morte de uma adolescente, vítima de septicemia generalizada, causada por um aborto ilegal, cometido por algum carniceiro que se passou por médico e salvador.


Alguns amigos de longa data, que também vivem no exterior, andam espantados com o grau de violência, mentiras e fraudes morais dessa campanha eleitoral brasileira. Alguns usam termos como crime lesa pátria para descrever as ações do candidato do Brasil que não deu certo, seus aliados e a grande mídia.


Poucos se surpreenderam, porém, com o fato de que até o atentado da bolinha de papel foi transformado em evento digno de investigação no maior telejornal do hemisfério sul (ou seria da zona sul do Rio de Janeiro? Não sei bem). No caso em questão, como nos EUA, a dita grande imprensa que circunda a candidatura do George Bush tupiniquim acusa o Presidente da República de não se comportar com apropriado decoro presidencial, ao tirar um bom sarro e trazer à tona, com bom humor, a melhor metáfora futebolística que poderia descrever a farsa. Sejamos honestos, a completa fabricação, desmascarada em verso, prosa e análise de vídeo, quadro a quadro, por um brilhante professor de jornalismo digital gaúcho.


Curiosamente, a mesma imprensa e seus arautos colunistas não tecem um único comentário sobre a gravidade do fato de ter um pretendente ao cargo máximo da República ter aceitado participar de uma clara e explicita fabricação. Ou será que esse detalhe não merece algumas mal traçadas linhas da imprensa? Caso ainda estivéssemos no meio de uma campanha tipicamente brasileira, o já internacionalmente famoso “atentado da bolinha de papel” seria motivo das mais variadas chacotas e piadas de botequim. Mas como estamos vivendo dentro de um verdadeiro clone das campanhas americanas, querem criminalizar até a bolinha de papel. Se a moda pega, só eu conheço pelo menos uns dez médicos brasileiros, extremamente famosos, antigos colegas de Colégio Bandeirantes e da Faculdade de Medicina da USP, que logo poderiam estar respondendo a processos por crimes hediondos, haja vista terem sido eles famosos terroristas do passado, que se valiam, não de uma, mas de uma verdadeira enxurrada, dessas armas de destruição em massa (de pulgas) para atingir professores menos avisados, que ousavam dar de costas para tais criminosos sem alma .


Valha-me Nossa Senhora da Aparecida — certamente o nosso George Bush tupiniquim aprovaria esse meu apelo aos céus –, nós, brasileiros, não merecemos ser a próxima vítima do entulho ético do marketing eleitoral americano. Nós merecemos algo muito melhor. Pode parecer paranoia de neurocientista exilado, mas nos EUA eu testemunhei como os arautos dessa forma de fazer política, representado pelo George Bush original e seus asseclas, conseguiram vender, com grande sucesso e fanfarra, uma guerra injustificável, que causou a morte de mais de 50 mil americanos e centenas de milhares de civis iraquianos inocentes.


Tudo começou com uma eleição roubada, decidida pela Corte Suprema. Tudo começou com uma campanha eleitoral baseada em falsas premissas e mentiras deslavadas. A seguir, o açodamento vergonhoso do medo paranóico, instilado numa população em choque, com a devida colaboração de uma mídia condescendente e vendida, foi suficiente para levar a maior potência do mundo a duas guerras imorais que culminaram, ironicamente, no maior terremoto econômico desde a quebra da bolsa de 1929.


Hoje os mesmos Republicanos que levaram o país a essas guerras irracionais e ao fundo do poço financeiro acusam o Presidente Obama de ser o responsável direto de todos os flagelos que assolam a sociedade americana, como o desemprego maciço, a perda das pensões e aposentadorias, a queda vertiginosa do valor dos imóveis e a completa insegurança sobre o que o futuro pode trazer, que surgiram como conseqüência imediata das duas catastróficas gestões de George Bush filho.


Enquanto no Brasil criam-se 200 mil empregos pro mês, nos EUA perdem-se 200 mil empregos a cada 30 dias. Confrontado com números como esses, muitos dos meus vizinhos em Chapel Hill adorariam receber um passaporte brasileiro ou mesmo um visto de trabalho temporário e mudar-se para esse nosso paraíso tropical. Eles sabem pelo menos isto: o mundo está mudando rapidamente e, logo, logo, no andar dessa carruagem, o verdadeiro primeiro mundo vai estar aqui, sob a luz do Cruzeiro do Sul!


Fica, pois, aqui o alerta de um brasileiro que testemunhou os eventos da recente história política americana em loco. Hoje é a farsa do atentado da bolinha de papel. Parece inofensivo. Motivo de pilhéria. Eu, como gato escaldado, que já viu esse filme repulsivo mais de uma vez, não ficaria tão tranqüilo, nem baixaria a guarda. Quem fabrica um atentado, quem se apega ou apela para questões de foro íntimo, como a crença religiosa (ou sua inexistência), como plataforma de campanha hoje, é o mesmo que, se eleito, se sentirá livre para pregar peças maiores, omitir fatos de maior relevância e governar sem a preocupação de dar satisfações aqueles que, iludidos, cometeram o deslize histórico de cair no mais terrível de todos os contos do vigário, aquele que nega a própria realidade que nos cerca.


Aliás, ocorre-me um último pensamento. A única forma do ex-presidente (Imperador?) Fernando Henrique Cardoso demonstrar que o seu governo não foi o maior desastre político-econômico, testemunhado por todo o continente americano, seria compará-lo, taco a taco, à catastrófica gestão de George Bush filho. Sendo assim, talvez o candidato Serra tenha raciocinado que, como a sua probabilidade de vitória era realmente baixa, em último caso, ele poderia demonstrar a todo o Brasil quão melhor o governo FHC teria sido do que uma eventual presidência do George Bush genérico do hemisfério sul. Vão-se os anéis, sobram os dedos. Perdido por perdido, vamos salvar pelo menos um amigo. Se tal ato de solidariedade foi tramado dentro dos circuitos neurais do cérebro do candidato da oposição (truco!), só me restaria elogiá-lo por este repente de humildade e espírito cristão.


Ciente, num raro momento de contrição, de que algumas das minhas teorias possam ter causado um leve incômodo, ou mesmo, talvez, um passageiro mal-estar ao candidato, eu ousaria esticar um pouco do meu crédito junto a esse grande novo porta-voz do cristianismo e fazer um pequeno pedido, de cunho pessoal, formulado por um torcedor palmeirense anônimo, ao candidato da oposição. O pedido, mais do que singelo, seria o seguinte:


Candidato, será que dá pro senhor pedir pro governador Goldman ou pro futuro governador Dr. Alckmin para eles não desligarem a luz da Arena Barueri na semana que vem? Como o senhor sabe, o nosso Verdão disputa uma vaguinha na semifinal da Copa Sulamericana e, aqui entre nós, não fica bem outro apagão ser mostrado para todo esse Brazilzão, iluminado pelo Luz para Todos, do Lula. Afinal de contas, se ocorrer outro vexame como esse, o povão vai começar a falar que se o senhor não consegue nem garantir a luz do estádio pro seu time do coração jogar, como é que pode ter a pretensão de prometer que vai ter luz para todo o resto desse país enorme? Depois, o senhor vem aqui e pergunta por que eu vou votar na Dilma? Parece abestalhado, sô!