segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CARETICE MATA

Melhor drogado vivo
do que careta morto

Eu bebo sim
estou vivendo
tem gente que não bebe
e tá morrendo
(De um samba cantado por Elizeth Cardoso)


Por Mylton Severiano
Li na Folhona (segunda, 6.12.2010) carta de certo Mauro Borges, “coordenador nacional da campanha Droga Mata”. Protesta contra o governador fluminense Sergio Cabral dizer que apresentará a Dilma proposta “que visa defender em foruns internacionais a discussão a respeito da legalização das drogas leves, alegando que a repressão aos traficantes mata inocentes”.

O QUE É QUE NÃO MATA?
O sujeito do Droga Mata se insurge, diz que “não se evita a morte de inocentes liberando as drogas leves ou pesadas, já que uma das piores e mais destruidoras drogas liberadas no mundo são as bebidas alcoólicas, responsáveis por milhões de mortes de inocentes”.

Borges diz que, liberar qualquer droga, “leve ou pesada”, significa “reconhecer a incompetência e a total falência do Estado na guerra contra elas”. (Claro que o Estado jamais vai vencer a guerra contra as drogas, seria o mesmo que o Estado vencer uma guerra contra a natureza humana.)

ARSÊNICO SALVA
Mas como tem gente gastando tempo, dinheiro, energia em más obras! Para começar, se droga mata, pergunto: o que é que não mata? Talvez você que me lê, inadvertida e inocentemente, responda:

Ora, suco de maracujá não mata.

Ou alguma bebida mais inocente ainda, água. Pois saiba que beber oito litros de suco de maracujá mata; e dez litros de água matam.

Vem dos gregos o conceito simples: a dose letal está na dose. Quantidades infinitesimais de arsênico podem nos curar doenças, e uma quantidade suficiente para matar um rato pode nos matar.

Tome um litro de uísque duma vez e você pode morrer. Tome duas ou três doses por dia e pode lhe fazer bem ao coração.

COMO ESSA GENTE QUE DEFENDE
A VIDA É CHEGADA NUMA CAVEIRA!

Uma quantidade de Mauro Borges e sua campanha panaca Droga Mata, na dose que vi hoje na seção Painel do Leitor da Folha, me provoca reação salutar: mas que bobagem! Se virar campanha em doses cavalares, pode matar. Como está matando a proibição das “drogas” em escala mundial.

É melhor ser um careta vivo que um drogado morto, diz o dístico do Droga Mata, que usa como ilustração uma caveira – como essa gente adora caveira! O Caveirão, o Esquadrão da Morte... e falam em defesa da vida ostentando uma caveira.

Tanto faz. Que tal inverter? Posso tomar como símbolo um filhote qualquer, cheio de vida. E posso defender, com este símbolo, que é melhor um drogado vivo que um careta morto, não?

OBRA NOS PERGOLADOS DO PARQUE DA ÁGUA BRANCA É SUSPENSA


Ministério Público protocola ACP Cautelar com Pedido de Liminar

O Promotor Meio Ambiente do Ministério Público de SP, Dr. Washington Luiz, protocolou nesta segunda feira uma Ação Civil Pública Cautelar com Pedido de Liminar, requerendo a suspensão de qualquer ação referente ao contrato de obra nos Pergolados, entre o Fundo Social do Governo - FUSSESP e a Empresa Harus Construções.

Leia a ACP Cautelar na íntegra.
 
Movimento SOS Parque da Água Branca

PRESENTE DE NATAL


A obra Se Liga - o livro das drogas, de autoria de Mylton Severiano, lançado pela Record em 1997, está à venda no Submarino.


CONJUGAÇÃO DO VERBO FUMAR

Por Mylton Severiano

EU FUMO
TU JORNALISTA FUMAS
A POLÍCIA FUMA
NÓS HUMANOS FUMAMOS
VÓS JUÍZES FUMAIS
ELES PEEMES FUMAM

ENTÃO POR QUE ESSA ENCRENCA?


vamos dividir as toneladas de maconha apreendidas!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

QUER PAZ? LEGALIZE JÁ! - parte 2

ENQUANTO FOR PROIBIDO HAVERÁ "TRÁFICO"
E HAVERÁ VIOLÊNCIA

Por Mylton Severiano


Enfim, dez dias depois da invasão policial-militar do morro do Alemão, alguém trisca no real por trás da realidade: Luiz Eduardo Soares, ex-coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania fluminense (1999-2000) e ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003). Principais pontos da entrevista dele na Folha, 2/12/2010:


• A parceria entre o tráfico e segmentos policiais corruptos, que vendem armas, alugam Caveirão, ganham percentuais da venda da droga, tem que ser objeto da preocupação prioritária.


• Se chegou, no final dos anos 80 e início dos 90, a um terceiro estágio da economia da corrupção: (...) o arrego. Isso faz com que a polícia se torne parceira fixa.


• Os milicianos são policiais. (...) Esperam que a polícia enfrente o tráfico e, se isso não acontece, fazem negócios com os traficantes.


• Há uma enorme ilusão [na cobertura da mídia brasileira]. Não quero ser o único que enxerga a realidade, pelo amor de Deus! Mas é assustador que pessoas tão inteligentes e bem intencionadas se iludam com a fábula de que o bem venceu o mal. (...) Vamos nos surpreender sendo apunhalados pelas costas, porque parte dos heróis são os que estão nos condenando à insegurança, levando armas e drogas para as favelas.


• A contaminação [das Forças Armadas pelo tráfico] é uma preocupação do próprio Exército, seja por exemplos internacionais, seja pela experiência de roubos de armas, com cumplicidade de gente da instituição.


Li dúzias de artigos, crônicas, matérias, entrevistas, e ninguém vê que o real por trás da realidade é: enquanto houver proibição de “drogas”, vai haver tráfico, e violência. Pois só gente maluca da cabeça, capaz de defender seu “negócio” pelo poder das armas, arrisca-se a enfrentar as “forças da lei” para garantir o gigantesco lucro proporcionado pela venda de algo proibido, mas muito procurado.


Proíba qualquer coisa, gente, tomate se você quiser: amanhã aparece um traficante de tomate!


Há 15 anos, já defendia a legalização das drogas proibidas em meu best-seller Se Liga! – O livro das drogas (Record, RJ, 1997 – último exemplar que pedi à editora estava na quinta edição em 2003). Ali escrevi:


Os que defendem a legalização apresentam os seguintes argumentos principais:


- o Estado não pode legislar sobre aquilo que fazemos entre quatro paredes, nem pode nos impedir de fazer com o corpo o que bem entendermos, desde que não resulte em dano a terceiros;


- a legalização, ao estancar o tráfico ilegal, permitirá ao Estado auferir recursos na forma de impostos e taxas, eliminará uma fonte de corrupção e extinguirá a criminalidade resultante das guerras entre quadrilhas;


- drogas distribuídas legalmente passarão por controles de qualidade e incluirão na embalagem a bula, como as drogas farmacêuticas em geral, permitindo ao usuário saber o que está comprando e precaver-se contra os riscos de abusos ou mau uso.


A polêmica entre os que pregam a legalização e os que se opõem acirrou-se a partir do início da década de 1990, depois de célebre editorial de The New York Times, em 1987, pela descriminação da maconha. Os favoráveis à liberação eram poucos, no início do período em questão (a década 1987-1996).


O primeiro nome de expressão mundial a pronunciar-se a favor foi o economista americano Milton Friedman, Prêmio Nobel de 1976 por seus trabalhos sobre consumo e teoria de sistemas monetários.


Voltarei ao assunto: quem proíbe e por quê; o que disse Milton Friedman a favor da legalização. Por ora aqui fica a consigna:


QUER PAZ? LEGALIZE JÁ!


E TOME ESTA


Depois de aparecer a mídia em quinto lugar na confiança popular, agora o Ipea (Instituto Brasileiro de Pesquisa Aplicada) mostra que o povo acha a polícia péssima. Grandes novidades. E não dá nem pra se queixar ao bispo, vai que ele é da turma do papanazi ou do Opus Dei...






PS – Não sou o único que está enxergando o real por trás da realidade, mas estou.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

QUER PAZ? LEGALIZE JÁ!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mídia brasileira é G-O-L-P-I-S-T-A

As carpideiras do regime militar
Por Cynara Menezes


WikiLeaks revela documento mostrando
que até o governo americano tratou os
acontecimentos em Honduras como golpe
de estado, enquanto no Brasil falava-se
em "deposição constitucional".

Há uma revelação, entre as tantas que estão vindo à tona com a divulgação dos telegramas confidenciais das embaixadas dos Estados Unidos no mundo pelo site WikiLeaks, que me deixou particularmente satisfeita. Trata-se da admissão oficial pela diplomacia americana de que o que viveu Honduras em junho do ano passado foi um golpe de Estado. G-O-L-P-E, em português claro, como escrevemos em CartaCapital. Em inglês usa-se a palavra francesa “coup”. Ninguém utilizou o eufemismo “deposição constitucional” a não ser os pseudodemocratas locupletados em setores da mídia no Brasil.


É a mesma gente que, quando o governo Lula fala da intenção de regular a mídia, vem com o papo furado de que está se querendo cercear a liberdade de expressão. É o mesmo pessoal que ataca cotidianamente um líder democraticamente eleito e reeleito com palavras vis, mas que, ao menor sinal de revide verbal, protesta com denúncias ao suposto “autoritarismo”do presidente. Jornalistas, vejam só, capazes de ir lamber as botas dos militares em seus clubes sob a escusa de que a democracia se encontra “ameaçada” em nosso país.


Pois estes baluartes da liberdade de imprensa e de expressão no Brasil foram capazes de apoiar um regime conquistado pela força a pouca distância de nós, na América Central. Quando Honduras sofreu o golpe, estes falsos democratas saíram em campo para saudar o auto-empossado novo presidente Roberto Micheletti, que mandou expulsar o eleito Manuel Zelaya do país, de pijamas. Dizem-se democratas, mas espinafraram Lula e seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, por se recusarem a reconhecer um governo golpista. Quem é e quem não é democrata nessa história toda?


Não se engane, leitor. Disfarçados de defensores da democracia, estes “formadores de opinião” são na verdade carpideiras do regime militar. Choram às escondidas de saudades dos generais. Quando se colocam nas trincheiras da “liberdade de expressão” contra o governo, na verdade estão a tentar salvaguardar o monopólio midiático de seus patrões, não por acaso beneficiados pela ditadura. Dizem-se paladinos da imprensa livre, desde que seja aquela cevada pelas graças do regime militar. Não à toa, elogiam quem morreu do lado dos generais e difamam quem foi torturado e desapareceu lutando contra a ditadura.


As carpideiras do golpe se disfarçam sob a máscara dos bons moços, cheios de senso de humor “mordaz” (alguns humoristas de profissão, inclusive) e pretensamente bem formados intelectualmente. Mas não é difícil identificá-las: fique de olho em gente que diz que “todo político é igual”, que despreza o brasileiro com declarações do tipo “somos todos Tiriricas” e que prega o voto nulo nas eleições. Repare bem: prescindir do voto é abrir mão de ser cidadão. Na ditadura, não se votava, lembra? As carpideiras do regime militar tentam se conter, mas volta e meia se traem.


É mais fácil reconhecer uma carpideira dos milicos em tempos de guerra do que de paz. Durante as eleições, foi só surgir a polêmica sobre a descriminalização do aborto que elas mostraram a verdadeira face, erguendo a bandeira da ala mais obscurantista da igreja católica. Com a invasão policial dos morros cariocas no fim de semana, a mais “tchutchuca” entre todas as carpideiras da ditadura teve a desfaçatez de postar no twitter: “E se o BOPE, a Polícia e as Forças Armadas, depois da operação no Rio, fossem limpar o Congresso Nacional?” Nenhum respeito às instituições: é dessa matéria que se fazem os golpistas.


Se foram capazes de colocar o presidente Lula, do alto de sua popularidade, em capa de revista com a marca de um pé no traseiro, é de se presumir que as carpideiras do regime militar não darão trégua a Dilma Rousseff. Já começaram por escarafunchar seu passado de guerrilheira. Que ninguém se engane, as carpideiras estão à espreita. Esperam um deslize qualquer de Dilma para tentar defenestrá-la. Estão louquinhas por uma “deposição constitucional” como a que houve em Honduras, porque jamais admitirão ser o que são: groupies de ditadores. Os papéis do Wikileaks deixam claro, porém, que nem os Estados Unidos se enganam mais com golpistas.


Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.


Leia mais em: Есkердопата


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domingo, 28 de novembro de 2010

MORRE O JORNALISTA E ESCRITOR MOACIR WERNECK DE CASTRO

Texto extraído do blog O Esquerdopata

DE SÃO PAULO - No dia 25 de novembro, quinta-feira, morreu no Rio, aos 95, o escritor e jornalista Moacir Werneck de Castro. Militante comunista, trabalhou por 14 anos no jornal "Última Hora" e escreveu livros como "Europa 1935" (Record) e "No Tempo dos Barões" (Bem-Te-Vi), memórias de família, escritas em parceria com sua irmã Maria. Com a saúde debilitada e internado na Clínica São Vicente desde 6/11, para tratar uma pneumonia, teve falência múltipla dos órgãos nesta quinta. Werneck de Castro, que não teve filhos, deixa viúva, a uruguaia Gloria Rodríguez, a "Nené", 80. O corpo será cremado no crematório do Cemitério do Caju, no Rio, no sábado, às 14h30. Não haverá velório.


Moacir Werneck de Castro: A memória de uma geração


LUIZ FERNANDO VIANNA


RESUMO - O jornalista Moacir Werneck de Castro é o remanescente de uma geração que marcou a política e a cultura brasileira. Combateu o primo Carlos Lacerda na "Última Hora" de Samuel Wainer, onde trabalhou por 14 anos. Vive no Leblon com Nené, sua mulher, com quem polemiza, bem-humorado, sobre Chávez, Dilma e Serra.


MOACIR WERNECK DE CASTRO ESTÁ ACOSTUMADO a ser temporão desde o útero. Nasceu 22 anos depois de Luís, o primeiro dos cinco irmãos, e dez após Maria, a quarta da fila. Aos 95, a impressão de estar fora do tempo vem da ausência de quase todos os amigos. "Ele é, absolutamente, um sobrevivente", resume a uruguaia Glória Rodríguez, a Nené, 78, sua companheira de vida, pensamentos e sarcasmos há 53 anos. "Eu sou temporaníssimo. Já era para ter morrido há muito tempo", diz Moacir, cujo humor, ainda que amargo, não sucumbiu aos problemas de saúde.

DIVERTIDO E SOMBRIO


Nos últimos anos, ele passou por fraturas nas duas pernas e três cirurgias em função de um problema gástrico --"nó na tripa", segundo Nené. Esteve mais para o lado de lá no verão de 2009, mas resistiu a ponto de, atualmente, poder caminhar em casa, passear de cadeira de rodas pelo Leblon, onde mora, e ter longas conversas com visitas, quando aproveita para ser tão divertido quanto sombrio.


"Eu queria tomar aquelas cápsulas que os nazistas tomavam quando eram presos. Mas morro de medo de não morrer. Acho patético tentar o suicídio e sobreviver", diz, rindo. "Bobagem! Quem quer morrer não fala", corta Nené. Numa versão bem reduzida da lista de amigos perdidos estão Mário de Andrade, Rubem Braga, Vinicius de Moraes, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Jorge Amado, Sérgio Buarque de Holanda, Lúcio Rangel e Samuel Wainer. A longevidade de Moacir representa um século de escritores, jornalistas e pensadores do país. E um século da história do mundo.


AGREDIDO EM BERLIM


Ele conta no livro "Europa 1935" (Record, 2000), que participou, em Paris, do Encontro Mundial da Juventude contra a Guerra e o Fascismo e, em seguida, foi conhecer Berlim, já nazificada.


Tomando-o por judeu, um grupo de jovens o agrediu certa noite. Foi salvo pelo passaporte de estrangeiro e pelo alemão precário que aprendeu na infância em Blumenau (SC) -para onde fora logo após nascer, em Barra Mansa (RJ). Precisou se esconder da polícia de Getúlio Vargas nas terras da família, no interior fluminense, após a Intentona Comunista de 1935 --da qual não participou, mas seu nome estava no índex.


Já tinha sido preso uma vez, em 1934, ao estrear no jornalismo cobrindo uma confusa assembleia operária para o "Jornal do Povo", projeto de Aparício Torelly, o Barão de Itararé, que durou apenas dez dias. E teria outras passagens pela prisão durante o Estado Novo [1937-45]. Filiou-se ao Partido Comunista em 1947, quando ele voltava à clandestinidade após dois anos de existência legal. "O Jorge Amado me ironizava: 'Você escolheu um bom momento'", lembra.


BARBARIDADES


Escreveu durante anos para o jornal do partido, mas se desfiliou em 1956, com a denúncia do stalinismo feita por Nikita Khruschov. Ressalva que já criticava antes o que acontecia na União Soviética. "Percebia que o amor ao partido justificava as maiores barbaridades."


No Brasil, durante o regime militar [1964-85], ficou mais próximo da oposição moderada do MDB do que da esquerda que resultaria no PT. Na redemocratização, exaltou Tancredo Neves e Ulysses Guimarães em artigos. "É fácil dizer 'sou socialista' e pôr máscara de bonzinho. Mas é preciso analisar a importância de mudanças que não são revolucionárias, mas abrem caminho para revoluções", reflete, sem negar o passado. "Ainda hoje me chamam de comunista.


Não é um xingamento. Já stalinista é complicado." Moacir sempre foi mais um articulista do que um repórter. Como quando foi ao Uruguai em 1979 para ver como estava o país sob a ditadura militar, ou quando esteve no Oriente Médio, em 1982, para entrevistar o líder da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Yasser Arafat, não almejava a neutralidade: posicionava-se. Entre as décadas de 1970 e 90, escreveu principalmente para o "Jornal do Brasil" e a Folha.


ESTIRPE


"Ele é um jornalista político da estirpe de Prudente de Moraes, neto, e Carlos Castello Branco", aponta o crítico Davi Arrigucci Jr., que conheceu Moacir em Cuba nos anos 80, quando ambos foram jurados do prêmio literário Casa de las Américas. "Ele é a memória de uma geração. Com sua prosa, sua capacidade de narrador, tem uma experiência acumulada importante sobre a história social e literária brasileira."


Moacir espelha a história social do país já na própria família. É neto, por parte de pai, do visconde de Arcozelo, Joaquim Teixeira de Castro, e bisneto, por parte de mãe, do barão de Pati do Alferes, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck. Primos entre si, seus pais vivenciaram a derrocada do café. Moacir e os irmãos nunca se livraram do peso de terem antepassados que ergueram fortunas graças à escravidão. "Uma das irmãs se desfez de um brilhante porque disse que eram lágrimas de escravo", conta Nené.


Num manual de administração de uma fazenda de café que publicou em 1847, o barão de Pati do Alferes dá orientações sobre como tratar os escravos. Num trecho citado nos escritos deixados por sua irmã, Maria Werneck de Castro (1905-2000), que Moacir organizou e publicou ("No Tempo dos Barões", Bem-Te-Vi, 2004), há uma possível origem da gíria "encher o saco": "Há também alguns senhores que têm o péssimo costume de não castigar a tempo, e de estar ameaçando o escravo, dizendo-lhe -deixa que hás de pagar tudo junto- ou -vai enchendo o saco, que ele há de transbordar e então nós veremo- e quando lhe parece agarra o pobre negro, dá-lhe uma estafa da qual muitas vezes vai para a eternidade, e por quê? Porque pagou tudo junto!!! Barbaridade! O negro deve ser castigado quando faz o crime".


PRIMO E DESAFETO


Aos 11 anos, órfão de pai -que estudara na Alemanha e terminou a vida em grandes dificuldades financeiras-, Moacir voltou de Blumenau com a mãe para o que sobrara das terras da família. Foi então que se ligou muito ao primo Carlos Frederico Werneck de Lacerda, um ano mais velho.


A união infantil seria rompida em plano nacional. Carlos Lacerda também se indignou com o passado escravocrata da família e escreveu "O Quilombo de Manoel Congo" (1935). Teve formação socialista com Moacir, quando estavam na faculdade de direito no Rio de Janeiro. E os dois trabalharam em "Diretrizes", a revista que Samuel Wainer criou em 1938. Na passagem dos anos 1930 para os 40, Lacerda deu a guinada ideológica que faria dele um dos mais importantes políticos conservadores brasileiros.


A amizade com Samuel foi rompida, e Moacir assumiu posição pública contra o primo. "Não era pessoal, era uma coisa política. Eu esculhambava o Carlos nos meus textos. O Fernando [Sabino] e o Otto tentaram fazer as pazes, mas eles mesmos diziam que o Carlos estava muito diferente", relembra. Moacir trabalhou por 14 anos (chegou a redator-chefe) na "Última Hora" de Samuel Wainer, o jornal com o qual Lacerda e sua "Tribuna da Imprensa" travaram uma guerra célebre.


"Só vim a conhecer o Moacir depois da morte do meu pai, mas ele nunca foi referido lá em casa de forma negativa. O problema se tornou pessoal, mas não era pessoal na origem", conta o editor Sebastião Lacerda, que ganhou de Moacir uma foto dos dois primos andando a cavalo na chácara da família, em Vassouras (RJ), em 1937.


NÃO, LYGINHA


O rótulo "escritor", no sentido de ficcionista, nunca se aplicou a Moacir, que se limitou a publicar um poema e um conto em jornais quando jovem. Não foi por falta de insistência que não se aventurou na ficção. Lygia Fagundes Telles, que o namorava nas férias de verão no Rio, tentou. "Foi na idade da pedra lascada, eu era uma mocinha completamente imatura.


Achava que só prestava escrever ficção, e dizia para ele: 'Essa crônica dá um conto'. Ele só falava: 'Não, Lyginha'. Meus conselhos não resultaram em nada", conta a escritora. Lygia teve de lidar com a oposição da mãe ao namoro. "Ela tinha medo, porque diziam que ele era comunista. Eu o achava muito culto, generoso. Fiquei com uma admiração profunda."


BOLÍVAR E CHÁVEZ


A publicação em livro só se tornou regular após os 70 anos. Em 1988, escreveu "O Libertador - A Vida de Simón Bolívar" (Rocco). A admiração pelo líder venezuelano que tentou unir a América no início do século 19 não se estende ao atual presidente do país, Hugo Chávez, e à sua "República Bolivariana".


"Chávez tenta se aproveitar [do legado de Bolívar], mas não consegue. Ele simplifica Bolívar, que é complexo", opina. "Mas minha mulher é chavista... Não me venha com seu chavismo para cima de mim", diz, em provocação a Nené.


Em 1989, saiu "Mário de Andrade - Exílio no Rio" (Rocco), narrativa original sobre os três anos cariocas (1938 a 41) do autor de "Pauliceia Desvairada". Moacir era um de seus companheiros de chope. O livro sofreu críticas por não ressaltar o homossexualismo de Mário, assunto que não considerou prioritário. "Ele nunca se insinuou para nenhum de nós", diz.

BICHO DE CONCHA


A reunião de textos publicados na imprensa, "A Ponte dos Suspiros" (Rocco) foi lançada em 1990. Em resenha na Folha, Otto classificou Moacir de "mais amigo da penumbra do que das luzes da ribalta". "O Otto o chamava de 'bicho de concha'", diz Nené.


Hoje, com poucos amigos por perto, Moacir está mais na concha. Mas, como nunca deixou de fazer, pretende votar em outubro. "Na Dilma, de jeito nenhum." Sofre pressão da mulher para escolher José Serra, amigo de Nené há 40 anos.

"E tenho muita simpatia pela Marinazinha, coitadinha."


Dispensando óculos, tem prazer em ler jornais, reler cartas de amigos e, sem perder a modéstia, voltar a alguns textos que publicou. "Eu vejo umas coisas que eu escrevi em 70, 80... Não é que eu escrevia direitinho?"

(http://esquerdopata.blogspot.com/)

SOS PARQUE DA ÁGUA BRANCA

AUDIÊNCIA MARCADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO
 SOBRE O PARQUE DA ÁGUA BRANCA


O Promotor de Meio Ambiente do Ministério Público de São Paulo, Dr. Washington Luiz, agendou para dia 30/11, terça, 18h, uma audiência pública para discutir os problemas apontados pelo Movimento SOS Parque da Água Branca na condução e execução dos projetos e intervenções do Governo do Estado no Parque da Água Branca.

Enviaremos novo e-mail com mais informações. Divulgue esta audiência pública para todos que defendem que o Parque da Água Branca seja respeitado e preservado.


30/11 - terça feira, 18h - Parque da Água Branca - Espaço Tatersal.

www.parquedaaguabranca.blogspot.com

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

NOAM CHOMSKY:DEZ ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO

HÉLIO RODRIGUES ENVIOU ESTE TEXTO PARA MYLTAINHO&AMANCIO E A GENTE REPASSA
O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “Dez estratégias de manipulação” através da mídia:


1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.


O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.


2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.


Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.


3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.


Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.


4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.


Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.


5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.


A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.


6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.


Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…


7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.


Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.


8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.


Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…


9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.


Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!


10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.


No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.