quinta-feira, 31 de março de 2011

BOMBA:NEGROS E GAYS NA MIRA DE BOLSONARO








 INCRÍVEL: BOLSONARO ACHA QUE SE JUSTIFICA DESVIANDO A POLÊMICA DOS   
NEGROS PARA OS GAYS
Cada vez que o deputado carioca do PP-RJ abre a boca demonstra a sua falta de dignidade e dos 120.646 brasileiros que votaram nele
Por Cristina R. Durán
A semana começou com todo mundo - ou pelo menos boa parte - ficando arrepiado pela resposta de Jair Bolsonaro a Preta Gil, veiculada no "O Povo Quer Saber", quadro do programa CQC. Ela perguntou se ele se incomodaria caso o seu filho se apaixonasse por uma negra. Prontamente, o sujeito respondeu: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu."
Como se sabe, rapidamente, a declaração seguiu um rastilho de pólvora e provocou reações. Enquanto Preta decide processá-lo por comentário racista, deputados protocolam processo contra ele e as redes sociais difundem petição para cassar o seu mandato, ele decidiu se defender com uma "nota de esclarecimento" indefensável. Joga mais lama no terninho do parlamentar. 
O deputado diz que se enganou. Achou que a pergunta fazia referência aos gays e não aos negros. E ainda afirma não ser homofóbico. Como parece inacreditável, veja a íntegra da nota e confira o vídeo com o seu depoimento no link  http://www.bolsonaro.com.br/ :
NOTA DE ESCLARECIMENTO
A respeito de minha resposta à cantora Preta Gil, veiculada no Programa CQC, da TV Bandeirantes, na noite do dia 28/03/2011, são oportunos alguns esclarecimentos.
A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta - percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay.
Daí a resposta: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu.”
Todos aqueles que assistam, integralmente, a minha participação no programa, poderão constatar que, em nenhum momento, manifestei qualquer expressão de racismo. Ao responder por que sou contra cotas raciais, afirmei ser contrário a qualquer cota e justifiquei explicando que não viajaria em um avião pilotado por cotista nem gostaria de ser operado por médico cotista, sem me referir a cor.
O próprio apresentador, Marcelo Tas, ao comentar a entrevista, manifestou-se no sentido de que eu não deveria ter entendido a pergunta, o que realmente aconteceu.
Reitero que não sou apologista do homossexualismo, por entender que tal prática não seja motivo de orgulho. Entretanto, não sou homofóbico e respeito as posições de cada um; com relação ao racismo, meus inúmeros amigos e funcionários afrodescendentes podem responder por mim.
Atenciosamente,
JAIR BOLSONARO

Vale lembrar, ainda, o histórico desse político e militar brasileiro:
Em 2000, Jair Bolsonaro defendeu, numa entrevista à revista IstoÉ, a utilização da tortura em casos de tráfico de droga e seqüestro e a execução sumária em casos de crime premeditado.
Em 2003, Bolsonaro discutiu com a deputada Maria do Rosário, do Partido dos Trabalhadores, sob as lentes das emissoras de televisão que gravavam uma entrevista com o deputado no Congresso Nacional. Na ocasião, Bolsonaro afirmou que os menores de 16 anos deveriam ser penalmente imputáveis, ao que a deputada reagiu contrariamente. Bolsonaro, então, teria dito a deputada que chamasse o marginal Champinha (ver Caso Liana Friedenbach e Felipe Caffé) para ser motorista da sua filha pequena. A discussão resultou em ofensas pessoais, com Rosário chamando-o de "desequilibrado" e "estuprador", e ele respondendo a ofensa chamando-a de "vagabunda". Rosário, revoltada, saiu chorando do local. Pouco tempo depois, o Partido dos Trabalhadores representou contra o deputado em razão do ocorrido.
Já fez duras críticas tanto ao governo Lula como de Fernando Henrique Cardoso, cujo fuzilamento defendeu em sessão da Câmara.
Em 2006, como forma de protesto contra a formulação de políticas de cotas raciais nas universidades públicas, o deputado apresentou um projeto de lei complementar na Câmara dos Deputados, propondo o estabelecimento de cotas para deputados negros e pardos. Bolsonaro admitiu em seguida que, se o projeto fosse à votação, seria contra ele.
Em 2008, foi o único deputado do Rio de Janeiro a votar contra o projeto de lei para ampliar o uso de armas não-letais, justificando que esse tipo de recurso já é utilizado.
Também ganhou notoriedade pelos comentários críticos à política indígena a do Governo Federal, em um de seus pronunciamentos em uma audiência na Câmara dos Deputados, que tratava sobre a questão indígena em Roraima.
Sentido-se constrangido e ofendido com os comentários do parlamentar sobre o ministro da Justiça Tarso Genro, uma das lideranças do sateré-maués presentes na audiência pública chegou até mesmo a atirar um copo de água em sua direção. Após o episódio, Bolsonaro fez a seguinte declaração:
É um índio que está a soldo aqui em Brasília, veio de avião, vai agora comer uma costelinha de porco, tomar um chope, provavelmente um uísque, e quem sabe telefonar para alguém para a noite sua ser mais agradável. Esse é o índio que vem falar aqui de reserva indígena. Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens.

Em 2010 novamente se envolveu em polêmicas ao declarar ser a favor de dar surras em crianças e adolescentes que tenham tendências homossexuais, se arvorando como defensor da família tradicional. Fez ainda diversos pronunciamentos contra o reconhecimento das uniões LGBTT.
(fonte: Wikipédia)
Tudo isso ocorre na mesma semana em que o Brasil perdeu um homem digno e corajoso como José Alencar, o ex-vice presidente do governo LulaDá o que pensar.
   
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 INCRÍVEL: BOLSONARO ACHA QUE SE JUSTIFICA DESVIANDO A POLÊMICA DOS   
NEGROS PARA OS GAYS
Cada vez que o deputado carioca do PP-RJ abre a boca demonstra a sua falta de dignidade e dos 120.646 brasileiros que votaram nele
Por Cristina R. Durán
A semana começou com todo mundo - ou pelo menos boa parte - ficando arrepiado pela resposta de Jair Bolsonaro a Preta Gil, veiculada no "O Povo Quer Saber", quadro do programa CQC. Ela perguntou se ele se incomodaria caso o seu filho se apaixonasse por uma negra. Prontamente, o sujeito respondeu: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu."
Como se sabe, rapidamente, a declaração seguiu um rastilho de pólvora e provocou reações. Enquanto Preta decide processá-lo por comentário racista, deputados protocolam processo contra ele e as redes sociais difundem petição para cassar o seu mandato, ele decidiu se defender com uma "nota de esclarecimento" indefensável. Joga mais lama no terninho do parlamentar. 
O deputado diz que se enganou. Achou que a pergunta fazia referência aos gays e não aos negros. E ainda afirma não ser homofóbico. Como parece inacreditável, veja a íntegra da nota e confira o vídeo com o seu depoimento no link  http://www.bolsonaro.com.br/ :
NOTA DE ESCLARECIMENTO
A respeito de minha resposta à cantora Preta Gil, veiculada no Programa CQC, da TV Bandeirantes, na noite do dia 28/03/2011, são oportunos alguns esclarecimentos.
A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta - percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay.
Daí a resposta: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu.”
Todos aqueles que assistam, integralmente, a minha participação no programa, poderão constatar que, em nenhum momento, manifestei qualquer expressão de racismo. Ao responder por que sou contra cotas raciais, afirmei ser contrário a qualquer cota e justifiquei explicando que não viajaria em um avião pilotado por cotista nem gostaria de ser operado por médico cotista, sem me referir a cor.
O próprio apresentador, Marcelo Tas, ao comentar a entrevista, manifestou-se no sentido de que eu não deveria ter entendido a pergunta, o que realmente aconteceu.
Reitero que não sou apologista do homossexualismo, por entender que tal prática não seja motivo de orgulho. Entretanto, não sou homofóbico e respeito as posições de cada um; com relação ao racismo, meus inúmeros amigos e funcionários afrodescendentes podem responder por mim.
Atenciosamente,
JAIR BOLSONARO

Vale lembrar, ainda, o histórico desse político e militar brasileiro:
Em 2000, Jair Bolsonaro defendeu, numa entrevista à revista IstoÉ, a utilização da tortura em casos de tráfico de droga e seqüestro e a execução sumária em casos de crime premeditado.
Em 2003, Bolsonaro discutiu com a deputada Maria do Rosário, do Partido dos Trabalhadores, sob as lentes das emissoras de televisão que gravavam uma entrevista com o deputado no Congresso Nacional. Na ocasião, Bolsonaro afirmou que os menores de 16 anos deveriam ser penalmente imputáveis, ao que a deputada reagiu contrariamente. Bolsonaro, então, teria dito a deputada que chamasse o marginal Champinha (ver Caso Liana Friedenbach e Felipe Caffé) para ser motorista da sua filha pequena. A discussão resultou em ofensas pessoais, com Rosário chamando-o de "desequilibrado" e "estuprador", e ele respondendo a ofensa chamando-a de "vagabunda". Rosário, revoltada, saiu chorando do local. Pouco tempo depois, o Partido dos Trabalhadores representou contra o deputado em razão do ocorrido.
Já fez duras críticas tanto ao governo Lula como de Fernando Henrique Cardoso, cujo fuzilamento defendeu em sessão da Câmara.
Em 2006, como forma de protesto contra a formulação de políticas de cotas raciais nas universidades públicas, o deputado apresentou um projeto de lei complementar na Câmara dos Deputados, propondo o estabelecimento de cotas para deputados negros e pardos. Bolsonaro admitiu em seguida que, se o projeto fosse à votação, seria contra ele.
Em 2008, foi o único deputado do Rio de Janeiro a votar contra o projeto de lei para ampliar o uso de armas não-letais, justificando que esse tipo de recurso já é utilizado.
Também ganhou notoriedade pelos comentários críticos à política indígena a do Governo Federal, em um de seus pronunciamentos em uma audiência na Câmara dos Deputados, que tratava sobre a questão indígena em Roraima.
Sentido-se constrangido e ofendido com os comentários do parlamentar sobre o ministro da Justiça Tarso Genro, uma das lideranças do sateré-maués presentes na audiência pública chegou até mesmo a atirar um copo de água em sua direção. Após o episódio, Bolsonaro fez a seguinte declaração:
É um índio que está a soldo aqui em Brasília, veio de avião, vai agora comer uma costelinha de porco, tomar um chope, provavelmente um uísque, e quem sabe telefonar para alguém para a noite sua ser mais agradável. Esse é o índio que vem falar aqui de reserva indígena. Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens.

Em 2010 novamente se envolveu em polêmicas ao declarar ser a favor de dar surras em crianças e adolescentes que tenham tendências homossexuais, se arvorando como defensor da família tradicional. Fez ainda diversos pronunciamentos contra o reconhecimento das uniões LGBTT.
(fonte: Wikipédia)
Tudo isso ocorre na mesma semana em que o Brasil perdeu um homem digno e corajoso como José Alencar, o ex-vice presidente do governo LulaDá o que pensar.
   

terça-feira, 22 de março de 2011

A CARA DA MENTIRA


Declaração da Rede Popular Catarinense de Comunicação – RPCC

Para agradecer o Nobel da Paz a ele conferido, Obama discursou uma declaração de guerra ao mundo e revelou por trás de sua máscara a cara lívida e sem vida de uma velha mentira.

Esse é o representante do mais criminoso império da história, o maior explorador de todos os tempos, aquele que mais destrói a civilização, a natureza e a vida, que mais assassina ilegal e “legalmente”, que mais controla a vida privada das pessoas e que mais golpeia nossa região desde há mais de século e meio, pisa terra brasileira. É o ladrão entrando pela porta da frente. Mas, também é o representante do país que mais mente para satisfazer suas necessidades e apetites mais doentios, sem ter o menor reparo em se usar de todos os meios de comunicação, para distorcer, disfarçar, ocultar, omitir, ou mesmo, “inventar a verdade”.

Centro funcional dos mais poderosos monopólios da comunicação, vinculados ao sistema mais heterodoxo de empresas da guerra e da exploração sem limite, que não medem as conseqüências civilizatórias de todas suas arremetidas mediáticas, os Estados Unidos, tem em Obama um dos casos mais pérfidos e cínicos para com a América Latina. Este camaleão político é produto também da mentira através dos sítios de relacionamento, pelos quais consegui armar boa parte de sua campanha eleitoral que o levou a apresentar-se à juventude norte-americana e aos hispanos daquela nação, como uma possibilidade de mudança que não só não se confirmou, como que hoje, tal qual observamos em Wisconsin, Ohio, Kansas, Indiana, entre outros estados, traiu as esperanças, e com um discurso dúbio e mentiroso, afunda ainda mais os próprios trabalhadores norte-americanos. Obama representa com clareza brutal, as formas mais odiosas de manejo do discurso e do uso dos meios de comunicação.

Os meios da Rede Popular Catarinense de Comunicação – RPCC expressamos nosso repúdio e repugnância pela desagradável visita ao Brasil deste genocida mentiroso e invasor.

A seguir o prontuário invasor e genocida dos Estados Unidos, que resgatou Adalberto da Silva Jones e que foi publicado em 2007 no sítio do CMI/Brasil, no qual só faltava a participação e organização por parte do Império, do último Golpe de Estado na irmã República de Honduras - 2009, derrocando ao Presidente Constitucional José Manuel Zelaya Rosales, configurando a estréia do Imperador Obama na gráfica dos golpes de estado norte-americanos pelo mundo.

Invasões e golpes dos EUA pelo mundo

Entre as várias invasões que as forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar:

1846/1848 - México - Por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas;

1890 - Argentina - Tropas desembarcam em Buenos Aires para defender interesses econômicos americanos;

1891 - Chile - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes nacionalistas;

1891 - Haiti - Tropas debelam a revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA;

1893 - Hawai - Marinha enviada para suprimir o reinado independente e anexar o Hawaí aos EUA;

1894 - Nicarágua - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês;

1894/1895 - China - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa;

1894/1896 - Coréia - Tropas permanecem em Seul durante a guerra;

1895 - Panamá - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana;

1898/1900 - China - Tropas ocupam a China durante a Rebelião Boxer;



1898/1910 - Filipinas - Luta pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, 27/09/1901, e Bud Bagsak, Sulu, 11/15/1913; 600.000 filipinos mortos;

1898/1902 - Cuba - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana;

1898 - Porto Rico - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos;

1898 - Ilha de Guam - Marinha desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje;

1898 - Espanha - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial;

1898 - Nicarágua - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur;

1899 - Ilha de Samoa - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa;

1899 - Nicarágua - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez);

1901/1914 - Panamá - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção;



1903 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho;



1903/1904 - República Dominicana - Tropas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução;

1904/1905 - Coréia - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa;

1906/1909 - Cuba -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições;

1907 - Nicarágua - Tropas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua;

1907 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua;

1908 - Panamá - Fuzileiros invadem o Panamá durante período de eleições;

1910 - Nicarágua - Fuzileiros navais desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua;

1911 - Honduras - Tropas enviadas para proteger interesses americanos durante a guerra civil invadem Honduras;

1911/1941 - China - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas;

1912 - Cuba - Tropas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana;

1912 - Panamá - Fuzileiros navais invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais;

1912 - Honduras - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano;

1912/1933 - Nicarágua - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos;

1913 - México - Fuzileiros da Marinha invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução;

1913 - México - Durante a revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas;

1914/1918 - Primeira Guerra Mundial - EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens;

1914 - República Dominicana - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução em Santo Domingo;

1914/1918 - México - Marinha e exército invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas;

1915/1934 - Haiti - Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos;

1916/1924 - República Dominicana - Os EUA invadem e estabelecem governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos;

1917/1933 - Cuba - Tropas desembarcam em Cuba e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos;

1918/1922 - Rússia - Marinha e tropas enviadas para combater a revolução bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles;

1919 - Honduras - Fuzileiros desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço;

1918 - Iugoslávia - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia;

1920 - Guatemala - Tropas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala;

1922 - Turquia - Tropas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna;

1922/1927 - China - Marinha e Exército mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista;

1924/1925 - Honduras - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional;

1925 - Panamá - Tropas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos;

1927/1934 - China - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos ocupando o território;

1932 - El Salvador - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN -

comandadas por Marti;

1939/1945 - II Guerra Mundial - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki;

1946 - Irã - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã;

1946 - Iugoslávia - Presença da marinha ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos;

1947/1949 - Grécia - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego;

1947 - Venezuela - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder;

1948/1949 - China - Fuzileiros invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista;

1950 - Porto Rico - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce;

1951/1953 - Coréia - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Estados Unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul;



1954 - Guatemala - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a reforma agrária;

1956 - Egito - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense-britânica, a retirar-se do canal;

1958 - Líbano - Forças da Marinha invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil;

1958 - Panamá - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos;

1961/1975 - Vietnã. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático, que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas;

1962 - Laos - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao;

1964 - Panamá - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira de seu país;

1965/1966 - República Dominicana - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas desembarcaram na capital do país, São Domingo, para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924;

1966/1967 - Guatemala - Boinas Verdes e marines invadem o país para combater movimento revolucionário contrário aos interesses econômicos do capital americano;

1969/1975 - Camboja - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja;

1971/1975 - Laos - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana;

1975 - Camboja - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez;

1980 - Irã - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então;

1982/1984 - Líbano - Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos no país logo após a invasão por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas;

1983/1984 - Ilha de Granada - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha;

1983/1989 - Honduras - Tropas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira invadem o Honduras;

1986 - Bolívia - Exército invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína;

1989 - Ilhas Virgens - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano;

1989 - Panamá - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.

1990 - Libéria - Tropas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil;

1990/1991 - Iraque - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos, com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo;

1990/1991 - Arábia Saudita - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque;

1992/1994 - Somália - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país;

1993 - Iraque - No início do governo Clinton é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait;

1994/1999 - Haiti - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos;

1996/1997 - Zaire (ex-República do Congo) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadia área dos campos de refugiados Hutus;

1997 - Libéria - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes;

1997 - Albânia - Tropas invadem a Albânia para evacuar estrangeiros;

2000 - Colômbia - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde");

2001 - Afeganistão - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje;

2003 - Iraque - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.

2009 – Honduras - Em 28 de Junho a Suprema Corte destituiu o presidente Manuel Zelaya, exilado pelo exército hondurenho por desejar instituir uma consulta popular simultânea às eleições presidências para o que o povo hondurenho expressasse o desejo ou não de criação de uma Assembleia Constituinte que reformasse a constituição vigente. Pela possibilidade de que essa reforma possibilitasse a reeleição do governo do presidente que o sucederia, Zelaya foi destituído. Obama declara: “Consideramos que o golpe (“coup”) não foi legal...” Apesar de assim também entenderem a Assembleia Geral das Nações Unidas, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Organização dos Estados Americanos (OEA) que considerou o golpe como “alteração inconstitucional da ordem democrática”, em novembro o governo dos Estados Unidos avalizou e compareceu à posse do presidente imposto por um processo eleitoral não reconhecido por 11 das 18 nações conclamadas a legitimar o processo, após o qual prosseguem as violações de direitos humanos e os assassinatos de jornalistas.

Fora o verdugo de Afeganistão e o Iraque

Fora o torturador de Guantánamo

Fora o presidente de Wall Street e do Pentágono

FUERA ESTADOS UNIDOS E OTAN DA LÍBA

Santa Catarina, Brasil

16 de março de 2011.


Assinam esta Declaração estes integrantes da RPCC:


Agência de Notícias do Contestado - www.agecon.org.br


APAFEC - www.apafec.org.br


DAQUI na Rede - www.daquinarede.com.br


DAQUI Jornal – Santo Antônio de Lisboa e Região


Desacato - www.desacato.info


Fragmentos do Tempo2 - http://fragmentosdotempo2.blogspot.com


Maria Rosa 104,9FM - www.mariarosa.fm.br


O Taquaruçu - http://otaquarucu.blogspot.com


Rádio Comunitária do Campeche 98,3 FM


Radio Comunitária Fortaleza 98,3FM - www.comunitariafortaleza.com.br


Rádio Web Cidadania - www.agecon.org.br/pgWebRadio.asp


Raul Longo - Jornalista e escritor


Revista Pobres e Nojentas - http://pobresenojentas.blogspot.com


Sambaqui na rede - www.sambaquinarede2.blogspot.com


Tangaraense 104,9FM - www.tangaraensefm.org


Urda Alice Klueger - Historiadora e escritora

sábado, 19 de março de 2011

ÍNTEGRA DO DISCURSO DE DILMA NO ALMOÇO OFERECIDO A OBAMA

Discurso da presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço oferecido ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama
Palácio Itamaraty, 19 de março de 2011


“Excelentíssimo senhor Barack Obama, presidente dos Estados Unidos da América,


Senhora Michelle Obama,


Senhor vice-presidente da República, Michel Temer,


Senhor senador José Sarney, presidente do Senado Federal,


Deputado Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados,


Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,


Embaixador Antonio Patriota, ministro de Estado das Relações Exteriores, e senhora Tânia Cooper Patriota,


Senhoras e senhores integrantes da delegação norte-americana,


Senhoras e senhores ministros,


Senhoras e senhores governadores,


Senhoras e senhores senadores e deputados federais,


Senhoras e senhores empresários,


Senhoras e senhores presidentes de centrais sindicais,


Senhoras e senhores jornalistas,


Senhoras e senhores,



Em nome do povo brasileiro, eu quero reiterar as boas-vindas ao presidente Barack Obama.

Esta visita é uma grande oportunidade para inaugurarmos mais um capítulo de nossa parceria, adequando-a às realidades e aos desafios do século XXI.


É motivo de grande honra para mim que esse encontro ocorra nos primeiros meses do meu governo e, mais ainda, no contexto da primeira viagem oficial do presidente Obama à América do Sul.


A presença, entre nós, de Michelle Obama, Malia e Sasha e de importante comitiva com autoridades do primeiro escalão, políticos e empresários, reforça o espírito de amizade com que nos reunimos.


Como disse pela manhã, é fato a ser celebrado que a primeira mulher Presidenta do Brasil receba hoje o primeiro Presidente afro-descendente dos Estados Unidos. Isso ganha ainda maior significado quando lembramos que os Estados Unidos e o Brasil são os dois países com a maior população negra fora da África.


Nossos países possuem inúmeros traços comuns. Aprofundar as afinidades entre nossos povos, torna os laços de amizade que nos unem mais significativos e duradouros do que uma relação baseada apenas em pactos formais entre governos.


Somos democracias multiétnicas. Temos uma história de luta pela afirmação das minorias, pelo respeito à diversidade e contra a discriminação e a intolerância. Valorizamos a liberdade, a igualdade e a independência entre povos e nações. Prezamos nossas respectivas soberanias.


Hoje, adotamos um comunicado conjunto e uma série de acordos que atestam a densidade das relações entre nossos países. Estabelecemos novos objetivos não só na agenda bilateral, mas também regional e global, com base nos quais queremos construir um ordenamento de paz e de cooperação.


Os Estados Unidos e o Brasil perseguem, juntos, a conclusão bem-sucedida da Rodada de Doha da OMC, com regras de comércio mais transparentes e mais justas.


No comércio bilateral, estou certa de que é de mútuo interesse promover a geração de fluxos mais equilibrados, tanto em termos quantitativos como qualitativos. A capacidade e o dinamismo do setor privado dos nossos países é fundamental para atingirmos esse objetivo. Por isso nós cumprimentamos o Fórum dos Dirigentes Empresariais dos dois países.


Presidente Obama,


Como eu já disse hoje pela manhã, o Brasil atual vive realidade econômica sólida e pujante. Orgulha-nos salientar que o progresso alcançado nos últimos anos tenha beneficiado, sobretudo, os mais pobres.


Desde 2002, milhões de cidadãos passaram a integrar as faixas de renda média e alta da sociedade brasileira. Esse é um feito histórico de inclusão social. Eu estou comprometida a continuar nessa direção, dando sequência ao governo do ex-presidente Lula, buscando também a erradicação da pobreza extrema no Brasil.


Nosso desenvolvimento também tem sido realizado de forma sustentável, com respeito ao meio ambiente. Nós sabemos que a matriz brasileira uma matriz renovável, mas estamos, aqui, dispostos a fazer uma grande parceria na área de energia, tanto no que se refere à exploração do pré-sal quanto no que se refere à exploração de energias renováveis e limpas, que podem garantir, para toda a humanidade e para o Brasil e os Estados Unidos, um melhor desenvolvimento e de forma mais sustentada. Tenho certeza que conto com a parceria dos Estados Unidos nessa nobre empreitada.


O Brasil do século XXI continua engajado na promoção da harmonia em sua região. Temos orgulho, como eu já disse, de viver em paz, há mais de um século, com todos os nossos dez vizinhos. Estamos empenhados na consolidação de um entorno de paz, segurança, democracia, cooperação e desenvolvimento com justiça social.


Mas o nosso olhar vai mais além, presidente Obama.


Construímos parcerias na África e no Oriente Médio. Alimentamos a legítima esperança de contribuir, sem voluntarismo, na busca de soluções criativas para os grandes desafios contemporâneos, como a promoção de um acordo de paz entre israelenses e palestinos, povos amigos com os quais nos sentimos solidários.


Cooperamos com a Índia e a África do Sul, no Fórum Ibas. Dialogamos regularmente, ao lado de nossos vizinhos sul-americanos, com o mundo árabe, nas cúpulas da Aspa. Mantemos igualmente importante diálogo América do Sul-África, continente a que tanto devemos, no âmbito da cúpula ASA. Integramos, com as economias mais dinâmicas da atualidade, o grupo dos BRICs. Desenvolvemos uma parceria estratégica com a União Europeia. Queremos contribuir para uma “multipolaridade benigna”, fundada numa dinâmica de cooperação livre das assimetrias do passado, geradoras de crises e de instabilidades.


Caro presidente Obama,


O Brasil e os Estados Unidos compartilham convergências que podem se traduzir em sintonia de propósitos no presente e no futuro, se para isso dedicarmos o melhor de nossos esforços.


Os desafios do século XXI são muito complexos. O potencial desestabilizador de crises políticas a que temos assistido é imprevisível e também requer adequação dos mecanismos internacionais de governança política. O mundo de hoje não é o mesmo de 60 anos atrás. Também aqui, o Brasil tem consciência das suas responsabilidades e, por isso, estamos prontos a dar a nossa contribuição para a paz e a segurança internacionais num Conselho de Segurança das Nações Unidas ampliado, mais equitativo e mais democrático.


Presidente Obama,


O senhor pode ter certeza que eu espero que o senhor e a sua família levem de Brasília e do Rio de Janeiro as melhores recordações deste país amigo.


Os Estados Unidos e o Brasil são duas nações grandes, com um futuro grande de amizade e cooperação à sua frente. Queremos construí-lo. Com esse espírito, proponho que ergamos um brinde ao senhor, ao sonho de Martin Luther King, o mesmo sonho de brasileiros e americanos. Sonho de liberdade. Sonho de esperança.


E, presidente Obama, gostaria de acrescentar: sonho de harmonia e de paz entre todos.


Um brinde ao senhor, a sua família e a sua delegação.”

sexta-feira, 18 de março de 2011

DO POVO BRASILEIRO À BARAK OBAMA

Abaixo-assinado DO POVO BRASILEIRO À BARAK OBAMA Para:Presidente dos Estados Unidos Barack ObamaO presidente Lula foi definitivo: quando nos dirigimos a V. Exa não parece que falamos com o representante de um poder imperial e sim com um brasileiro como qualquer um de nós. Sua eleição trouxe muita admiração e muita esperança para o povo brasileiro e para toda a América Latina. Contudo, devemos confessar-lhe que nos encontramos profundamente decepcionados.”


Acreditamos nas promessas de campanha, entre elas esperávamos que seu governo trouxesse a paz e a justiça para nossa querida Ilha Cubana, que como é sabido, apesar do embargo de mais de 50 anos conseguiu ocupar um lugar de destaque no mundo com avanços significativos na área da biotecnológica, educacional e na área de saúde publica.Apesar da campanha difamatória e da propaganda violenta Cuba resiste a todas as agressões e intempéries com dignidade.Desnecessário citar a V. Exa todos os desmandos contra Cuba, sob as mais mentirosas alegações. Assim foi a Baia de Porcos, assim foi a promessa de desativar Guantánamo, assim é a prisão dos Cinco Cubanos em prisões Estadunidense com julgamentos sem nenhum critério ético e justiça, assim foi assinado há mais de 50 anos um embargo econômico, cruel e desumano.

Assim tem sido contra Honduras, Venezuela, Bolívia, África, sem citar o apoio e o trabalho das agencias de inteligência contra os países sul americanos nas décadas de 60 e 70 de século passado.

São incontáveis essas agressões. O senhor chegou como esperança de crescimento do homem em todas as esferas. Veio de uma classe média diferenciada, traz nas veias a herança de seus antepassados, os mesmos que construíram a economia de seu Pais.

Sabemos de seus interesses na grandiosidade do Brasil, que transcende o imaginável: Pré - sal, riquezas inesgotáveis de energia, biodiversidade, mão de obra barata, são apenas alguns exemplos.

Senhor Presidente Barack Obama, nosso contencioso é grande mas nosso carinho pelo povo norte americano transcende as desavenças.

Queremos aproveitar esta ocasião para uma reflexão necessária: a generosidade, a solidariedade, o respeito a soberania de cada pais, e principalmente,centrar nossas potencialidades para transformar o caos em que vivemos num mundo melhor.

Acabe com o embargo a Cuba e liberte os Cinco Heróis Cubanos, em nome da real integração entre os povos.

Rede das redes em Defesa da Humanidade – Capitulo Brasileiro

Oscar Niemeyer – Presidente de Honra

Marilia Guimarães – Presidente do Capitulo Brasil


O abaixo-assinado ao mandatário estadunidense pode ser lido e assinado em: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N784

Os signatários

quarta-feira, 16 de março de 2011

DEU NO NEW YORK TIMES

Três anos depois da crise,
bancos americanos criam
novo sistema de abusos

O que estão defendendo é um sistema no qual só pequenos têm de obedecer à lei, e ricos, especialmente banqueiros, podem enganar e trapacear.


Por Mylton Severiano


Se o NYT deu, é porque o Michael Moore tá certo, conforme publicamos neste blog: os Estados Unidos não estão quebrados, quem está quebrado é o povo americano: 400 magnatas gringos do norte têm o mesmo dinheiro que têm 155 milhões de seus compatriotas! Leia o texto do Nobel de Economia Paul Krugman, publicado pelo NYT. Ele começa comentando Inside Information, documentário vencedor do Oscar, que cada um de nós deve ver. Leiamos Krugman:


Estou entre aqueles que ficaram felizes em ver o documentário “Trabalho Interno” receber um Oscar. O filme nos lembrou que a crise financeira de 2008, cujos efeitos ainda estão afligindo as vidas de milhões de americanos, não aconteceu por acaso –ela ocorreu devido ao mau comportamento por parte dos banqueiros, reguladores e, sim, os economistas.conjunto de abusos, muitos deles tanto ilegais quanto imorais. E importantes figuras políticas estão, finalmente, demonstrando algum ultraje. Infelizmente, este ultraje é direcionado não contra os abusos dos bancos, mas contra aqueles que tentam fazerem os bancos responderem por esses abusos.

O ponto crítico imediato é o acordo proposto entre os procuradores-gerais estaduais e o setor hipotecário. Esse acordo é uma “sacudida”, diz o senador Richard Shelby, do Alabama. O dinheiro que os bancos seriam obrigados a alocar para modificação de hipotecas seria “extorquido”, como declara o “Wall Street Journal”. E os banqueiros alertam que qualquer ação contra eles colocaria a recuperação econômica em risco.


Tudo isso apenas confirma que os ricos são diferentes de nós: quando eles infringem a lei, são os promotores que vão a julgamento.


Para se ter uma ideia do que estamos falando aqui, veja a queixa impetrada pelo procurador-geral de Nevada contra o Bank of America. A queixa acusa o banco de atrair famílias para seu programa de refinanciamento de hipoteca –supostamente para ajudá-las a manter suas casas– usando falsos pretextos; dando informações falsas sobre as exigências do programa (por exemplo, dizendo que devem dar calote em suas hipotecas antes de receberem o refinanciamento); burlando as famílias com promessas de ação, depois “enviando notificações de execução hipotecária, marcando datas de leilão e até mesmo vendendo as casas dos clientes enquanto estes aguardam por decisões” e, em geral, explorando o programa para se enriquecerem às custas dessas famílias.


O resultado final, acusa a queixa, é de que “muitos consumidores de Nevada continuam pagando hipotecas acima de sua renda, esgotando suas economias, seus fundos de aposentadoria ou os fundos de educação dos filhos. Além disso, devido às garantias enganadoras do Bank of America, os consumidores aceitam vendas a descoberto e deixam passar outras opções para minimizar suas perdas. E aguardam ansiosamente, mês após mês, ligando para o Bank of America e apresentando a documentação repetidas vezes, sem saber se ou quando perderão suas casas”.


Ainda assim, coisas como essas só acontecem com perdedores que não conseguem pagar suas hipotecas, não é? Errado. Recentemente, Dana Milbank, o colunista do “Washington Post”, escreveu sobre sua própria experiência: um refinanciamento rotineiro de hipoteca junto ao Citibank de alguma forma se transformou em um pesadelo de taxas cotadas erroneamente, cobrança indevida de juros e congelamento de contas bancárias. E todas as evidências sugerem que a experiência de Milbank não foi incomum.


Note que não estamos falando sobre práticas de negócios de operadores irresponsáveis; nós estamos falando sobre duas de nossas três maiores empresas financeiras, com aproximadamente US$ 2 trilhões em ativos cada. Mas os políticos querem que você acredite que qualquer tentativa para fazer com que esses gigantes bancários abusivos façam uma restituição modesta é uma “extorsão”. A única dúvida real é se o acordo proposto sai barato demais para os bancos.


E quanto ao argumento de que cobrar dos bancos ameaçaria a recuperação? Há muito que ser dito sobre esse argumento, mas nada de bom. Mas permita-me enfatizar dois pontos.


Primeiro, o acordo proposto apenas pede por modificações de empréstimos que resultem em um maior “valor líquido presente” do que a execução hipotecária –isto é, oferecendo acordos que são de interesse tanto para os proprietários de imóveis quanto para os investidores. A verdade ultrajante é que, em muitos casos, os bancos estão bloqueando esses acordos mutuamente benéficos para que possam continuar cobrando taxas. Como acabar com esse assalto pode ser ruim para a economia?


Segundo, o maior obstáculo para a recuperação não é a condição financeira dos grandes bancos, que já foram resgatados uma vez e agora estão lucrando com a percepção de que serão resgatados se alguma coisa der errado, mas sim o excesso de endividamento dos lares somado à paralisia do mercado imobiliário. Fazer os bancos solucionarem as dívidas hipotecárias –em vez de enganar as famílias para extrair alguns poucos dólares a mais– ajudaria, e não prejudicaria, a economia.


Nos próximos dias e semanas, nós veremos muitos políticos pró-bancos condenando o acordo proposto, afirmando que é uma questão de defesa do Estado de direito. Mas o que estão de fato defendendo é o oposto –um sistema no qual apenas os pequenos têm que obedecer à lei, enquanto os ricos, especialmente os banqueiros, podem enganar e trapacear sem consequências.


Paul Krugman












Professor de Princeton e colunista do New York Times desde 1999, Krugman venceu o prêmio Nobel de economia em 2008

Tradução: George El Khouri Andolfato

sábado, 12 de março de 2011

QUE JUSTIÇA É ESSA?

Esta incrível mulher que é a Elaine

Por Tadeu Jungle

Eu a conheço há mais de vinte anos. Já foi minha assistente de direção em programas de Tv e inúmeros filmes publicitários.

Trabalhou comigo na realização dos quatro DVDs de peças do Teatro Oficina

e agora co-dirige o documentário sobre o Zé Celso feito a convite do ITAU CULTURAL.

Mas, acima de tudo a Elaine é uma grande amiga.

Uma amiga que passa por um momento de terror, destes que a gente nunca imagina que poderiam acontecer conosco.

Ela foi separada de seu filho Theo (que vai fazer 4 anos em março) e tem sua guarda ameaçada por uma ação injusta e cruel movida pelo ex-marido, o qual não merece ser nominado.

Não bastasse a dor de ser ver distante da sua pessoa mais querida, ela tem um câncer linfático.

E para fechar o pacote ela tem uma dádiva, mas também uma responsabilidade nova: está grávida de 5 meses de seu novo parceiro, o grande Fred.

Tudo ao mesmo tempo agora.

Imaginem um marido que move uma ação contra a ex-mulher pedindo a guarda da filho alegando, entre outras coisa Pedofilia.

Isso mesmo. PE-DO-FI-LI-A.

Inacreditável, eu pensei. Imaginei que isso não ia dar em nada e que a causa ia ser arquivada.

Ao contrário. O Juiz aceitou a ação sem provas.

Pedofilia?

Gente, isso é gravíssimo.

E justo de quem?

Da Elaine que é uma moça querida por todos que a conhecem e uma mãe hiper dedicada e amorosa ao extremo com o Theo!

No ano passado, por exemplo, ela ficou dias preparando a festa do Theo com as próprias mãos: um recorta e cola e recorta e dobra sem fim. Trabalho de amor delicado.

E todas as vezes que eu fui na casa dela para editar este nosso documentário (que já tem 2 anos de trampo...) ela sempre marcava de acordo com os horários do menino:

“Eu deixo o Theo na escola e a gente se vê na seqüência” ou, “esta hora não dá pois vou levar o Theo pra passear”, etc, etc.

A casa dela é um apezão na Avenida Paulista que tem aquele jeitão agradável de trabalho, com mil fitas e livros,

misturado com casa de criança, com desenhos e fotos do Theo pelas paredes.

Às vezes tem até uma bateria na sala pro garoto fazer os seus baticuns!

A Elaine é um trator criativo no trabalho. Encara as coisas de frente. Leva tudo muito a sério e está sempre cheia de idéias.

Sempre bem-humorada.

Ela já passou por poucas e boas na sua vida, mas a chegada do Theo foi como uma luz pra ela.

Agora sem o Theo (o ex mora em Brasília...), grávida e com câncer (contra o qual ela está brava e eficazmente lutando), poderíamos pensar que ela iria desabar.

Ao contrário. Mais viva e forte do que eu jamais a vi, ela está de pé, enfrentando a Justiça brasileira com unhas e dentes.

Uma Justiça que também aceita a acusação de drogada!

A Elaine? Drogada? Ela é igual ao Caetano: não fuma nem um baseado!

Em termos de droga ela fica na cervejinha e no vinho. E olhe lá.

Vejam o que diz a Justiça:

"A criança está mais em segurança junto a companhia do pai e da Tia,

pois a mãe além de ter uma profissão que não a permite educar uma criança,

está com câncer levando uma gravidez de risco e tem um novo relacionamento."

Que loucura!

A profissão de artista aqui é vista como incompatível ao ato de educar uma criança!

O Artista é um visto como um ser perigoso aos outros! Ou seria trabalhar com o Zé Celso um crime?

O Zé Celso é o maior gênio criativo do Teatro brasileiro. Pode não ser do gosto de todos, mas com certeza é aquele que ilumina a pesquisa e a vivência

das origens e das antenas do Teatro: de Eurípedes a Oswald e Andrade, passando por Shakespeare e Nelson Rodrigues.

E a Elaine não trabalha só com o Zé Celso. Já esteve na Margarida Filmes, na Conspiração Filmes, entre outras produtoras brasileiras conceituadas,

Dirigindo filmes publicitários e outros projetos de imensa responsabilidade, criando e trabalhando com equipes de 100 ou mais pessoas.

Quanto ao câncer: não é uma sentença de morte.

A presidenta Dilma passou pelo mesmo caso da Elaine, se curou e está aí, firme e forte liderando o país.

A Elaine está sendo muito bem tratada e sua doença regride a olhos e exames vistos.

Não há nenhum risco na gravidez dela, conforme atestam os médicos que a acompanham.

E o fato de ter um novo relacionamento a impede de cuidar do próprio filho?

Namorar faz mal? Desde quando?

Do que está falando a nossa Justiça?

Papo de maluco?

Coisa de pessoas preconceituosas contra a mulher e contra os artistas, isso sim.

ISSO NÃO PODE FICAR ASSIM.

A IMPRENSA DEVE FALAR.

NÓS DEVEMOS FALAR.

E eu falo: se eu pudesse escolher uma madrinha para um filho meu hoje, eu escolheria a Elaine.

Tenho certeza que ela saberia cuidar muito bem dele caso eu viesse a faltar.

Mesmo ela sendo artista, estando grávida e tendo câncer.

TODA FORÇA PRA ELAINE!

Acompanhem a sua saga no blog que ela está fazendo: http://elainecesar.blogspot.com/

Vou botar uma champagne pra gelar pois tenho certeza que a real Justiça será feita e

vamos comemorar em breve o retorno do Theo à casa materna, que é o lugar de onde ele nunca deveria ter saído!

Faremos uma festa com a Elaine sadia, mãe de mais um filho,

com o lindão do Fred e o risonho Theo ao seu lado e eu, o Zé Celso e todos os amigos cantando e dançando no Teatro Oficina.

EVOÉ ELAINE!

Beijos

TADEU JUNGLE

sexta-feira, 11 de março de 2011

MICHAEL MOORE TOCA FOGO EM MADISON

Povo norte-americano podeimitar o levante das arábias

Por Mylton Severiano

Aconteceu dia 5 de março passado, sábado do carnaval de 2011, em Madison, Wisconsin, Estados Unidos. O cineasta Michael Moore apresentou a milhares de pessoas “As três mentiras”, a começar pela maior de todas: a América não está quebrada. A tradução abaixo é do “pessoal da Vila Vudu”. Se você entende bem inglês da América, veja no youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=wgNuSEZ8CDw

Mas, mesmo sem entender direito, ou não entender nada, podemos sentir que o povo norte-americano pode imitar o levante das arábias do nosso tempo. Vamos ao discurso de Michael Moore:

“Não queremos ser os Estados dos Business Unidos”
Avante, Madison! Força! Estamos com vocês!

Hoje, 400 norte-americanos têm a mesma quantidade de dinheiro que metade da população dos EUA, somando-se o dinheiro de todos.

Vou repetir. 400 norte-americanos obscenamente ricos, a maior parte dos quais foram beneficiados no ‘resgate’ de 2008, pago aos bancos, com muitos trilhões de dólares dos contribuintes, têm hoje a mesma quantidade de dinheiro, ações e propriedades que tudo que 155 milhões de norte-americanos conseguiram juntar ao longo da vida, tudo somado. Se dissermos que fomos vítimas de um golpe de estado financeiro, não estamos apenas certos, mas, além disso, também sabemos, no fundo do coração, que estamos certos.

Mas não é fácil dizer isso, e sei por quê. Para nós, admitir que deixamos um pequeno grupo roubar praticamente toda a riqueza que faz andar nossa economia, é o mesmo que admitir que aceitamos, humilhados, a ideia de que, de fato, entregamos sem luta a nossa preciosa democracia à elite endinheirada. Wall Street, os bancos, os 500 da revistaFortune governam hoje essa República – e, até o mês passado, todos nós, o resto, os milhões de norte-americanos, nos sentíamos impotentes, sem saber o que fazer.

Nunca frequentei universidades. Só estudei até o fim do segundo grau. Mas, quando eu estava na escola, todos tínhamos de estudar um semestre de Economia, para concluir o segundo grau. E ali, naquele semestre, aprendi uma coisa: dinheiro não dá em árvores. O dinheiro aparece quando se produzem coisas e quando temos emprego e salário para comprar coisas de que precisamos. E quanto mais compramos, mais empregos se criam. O dinheiro aparece quando há sistema que oferece boa educação, porque assim aparecem inventores, empresários, artistas, cientistas, pensadores que têm as ideias que ajudam o planeta. E cada nova ideia cria novos empregos, e todos pagam impostos, e o Estado também tem dinheiro. Mas se os mais ricos não pagam os impostos que teriam de pagar por justiça, a coisa toda começa a emperrar e o Estado não funciona. E as escolas não ensinam, nem aparecem os mais brilhantes capazes de criar mais e mais empregos. Se os ricos só usam seu dinheiro para produzir mais dinheiro, se de fato só o usam para eles mesmos, já vimos o que eles fazem: põem-se a jogar feito doidos, apostam, trapaceiam, nos mais alucinados esquemas inventados em Wall Street, e destroem a economia.

A loucura que fizeram em Wall Street custou-nos milhões de empregos. O Estado está arrecadando menos. Todos estamos sofrendo, como efeito do que os ricos fizeram.

Mas os EUA não estão falidos, amigos. Wisconsin não está falido. Repetir que o país está falido é repetir uma Enorme Mentira. As três maiores mentiras da década são: 1) os EUA estão falidos, 2) há armas de destruição em massa no Iraque; e 3) os Packers não ganharão o Super Bowl sem Brett Favre.

A verdade é que há muito dinheiro por aí. MUITO. O caso é que os homens do poder enterraram a riqueza num poço profundo, bem guardado dentro dos muros de suas mansões. Sabem que cometeram crimes para conseguir o que conseguiram e sabem que, mais dia menos dias, vocês vão querer recuperar a parte daquele dinheiro que é de vocês. Então, compraram e pagaram centenas de políticos em todo o país, para conduzirem a jogatina em nome deles. Mas, p’ro caso de o golpe micar, já cercaram seus condomínios de luxo e mantêm abastecidos, prontos para decolar, os jatos particulares, motor ligado, à espera do dia que, sonham eles, jamais virá. Para ajudar a garantir que aquele dia nunca cheguasse, o dia em que os norte-americanos exigiriam que seu país lhes fosse devolvido, os ricos tomaram duas providências bem espertas:

1. Controlam todas as comunicações. Como são donos de praticamente todos os jornais e redes de televisão, espertamente conseguiram convencer muitos norte-americanos mais pobres a comprar a versão deles do Sonho Americano e a eleger os candidatos deles, dos ricos. O Sonho Americano, na versão dos ricos, diz que vocês também, algum dia, poderão ser ricos – aqui é a América, onde tudo pode acontecer, se você insistir e nunca desistir de tentar! Convenientemente para eles, encheram vocês com exemplos convincentes, que mostram como um menino pobre pode enriquecer, como um filho criado sem pai, no Havaí, pode ser presidente, como um rapaz que mal concluiu o ginásio pode virar cineasta de sucesso. E repetirão essas histórias mais e mais, o dia inteiro, até que vocês passem a viver como se nunca, nunca, nunca, precisassem agitar a ‘realidade’ – porque, sim, você – você, você mesmo! – pode ser rico/presidente/ganhar o Oscar, algum dia!

A mensagem é clara: continuar a viver de cabeça baixa, nariz virado p’ro trilho, não sacuda o barco, e vote no partido que protege hoje o rico que você algum dia será.

2. Inventaram um veneno que sabem que vocês jamais quererão provar. É a versão deles da mútua destruição garantida. E quando ameaçaram detonar essa arma de destruição econômica em massa, em setembro de 2008, nós nos assustamos quando a economia e a bolsa de valores entraram em espiral rumo ao poço, e os bancos foram apanhados numa “pirâmide Ponzi” global, Wall Street lançou sua ameaça-chantagem: Ou entregam trilhões de dólares do dinheiro dos contribuintes dos EUA, ou quebramos tudo, a economia toda, até os cacos. Entreguem a grana, ou adeus poupanças. Adeus aposentadorias. Adeus Tesouro dos EUA. Adeus empregos e casas e futuro. Foi de apavorar, mesmo, e nos borramos de medo. “Aqui, aqui! Levem tudo, todo o nosso dinheiro. Não ligamos. Até, se quiserem, imprimimos mais dinheiro, só pra vocês. Levem, levem. Mas, por favor, não nos matem. POR FAVOR!”.

Os economistas executivos, nas salas de reunião e nos fundos rolavam de rir. De júbilo. E em três meses lá estavam entregando, eles, uns aos outros, os cheques dos ricos bônus obscenos, maravilhados com o quão perfeita e absolutamente haviam conseguido roubar uma nação de otários. Milhões perderam os empregos: pagaram pela chantagem e, mesmo assim, perderam os empregos, e milhões pagaram pela chantagem e perderam as casas. Mas ninguém saiu às ruas. Não houve revolta.

Até que... COMEÇOU! Em Wisconsin!

Jamais um filho de Michigan teve mais orgulho de dividir um mesmo lago com Wisconsin!

Vocês acordaram o gigante adormecido – a grande multidão de trabalhadores dos EUA. Agora, a terra treme sob os pés dos que caminham e estão avançando!

A mensagem de Wisconsin inspirou gente em todos os 50 estados dos EUA. A mensagem é “Basta! Chega! Basta!” Rejeitamos todos os que nos digam que os EUA estão falidos e falindo. É exatamente o contrário. Somos ricos! Temos talento e ideias e sempre trabalhamos muito e, sim, sim, temos amor. Amor e compaixão por todos os que – e não por culpa deles – são hoje os mais pobres dos pobres. Eles ainda querem o mesmo que nós queremos: Queremos nosso país de volta! Queremos, devolvida a nós, a nossa democracia! Nosso nome limpo. Queremos de volta os Estados Unidos da América.

Não somos, não queremos continuar a ser, os Estados dos Business Unidos da América!

Como fazer acontecer? Ora, estamos fazendo aqui, um pouco, o que o Egito está fazendo lá. E o Egito faz, lá, um pouco do que Madison está fazendo aqui.

E paremos um instante, para lembrar que, na Tunísia, um homem desesperado, que tentava vender frutas na rua, deu a vida, para chamar a atenção do mundo, para que todos vissem como e o quanto um governo de bilionários lá estava, afrontando a liberdade e a moral de toda a humanidade.

Obrigado, Wisconsin. Vocês estão fazendo as pessoas ver que temos agora a última chance de vencer uma ameaça mortal e salvar o que nos resta do que somos.

Vocês estão aqui há três semanas, no frio, dormindo no chão – por mais que custe, vocês fizeram. E não tenham dúvidas: Madison é só o começo. Os escandalosamente ricos, dessa vez, pisaram na bola. Bem poderiam ter ficado satisfeitos só com o dinheiro que roubaram do Tesouro. Bem se poderiam ter saciado só com os empregos que nos roubaram, aos milhões, que exportaram para outros pontos do mundo, onde conseguiam explorar ainda mais, gente mais pobre. Mas não bastou. Tiveram de fazer mais, queriam ganhar mais – mais que todos os ricos do mundo. Tentaram matar a nossa alma. Roubaram a dignidade dos trabalhadores dos EUA. Tentaram nos calar pela humilhação. Nos tiraram a mesa de negociações!

Recusam-se até a discutir coisas simples como o tamanho das salas de aula, ou o direito de os policiais usarem coletes à prova de balas, ou o direito de os pilotos e comissários de bordo terem algumas poucas horas a mais de descanso, para que trabalhem com mais segurança para todos e possam fazer melhor o próprio trabalho –, trabalho que eles compram por apenas 19 mil dólares anuais.

Isso é o que ganham os pilotos de linhas curtas, talvez até o piloto que me trouxe hoje a Madison. Contou-me que parou de esperar algum aumento. Que, agora, só pede que lhe deem folgas um pouco maiores, para não ter de dormir no carro entre os turnos de voo no aeroporto O'Hare. A que fundo do poço chegamos!

Os ricos já não se satisfazem com pagar salário de miséria aos pilotos: agora, querem roubar até o sono dos pilotos. Querem humilhar os pilotos, desumanizá-los e esfregar a cara dos pilotos na própria vergonha. Afinal, piloto ou não, ele não passa de mais um sem-teto...

Esse, meus amigos, foi o erro fatal dos Estados dos Business Unidos da América. Ao tentar nos destruir, fizeram nascer um movimento – uma revolta massiva, não violenta, que se alastra pelo país. Sabíamos que, um dia, aquilo teria de acabar. E acabou agora, já começou a acabar.

A mídia não entende o que está acontecendo, muita gente na mídia não entende.

Dizem que foram apanhados desprevenidos no Egito, que não previram o que estava por acontecer. Agora, se surpreendem e nada entendem, porque tantas centenas de milhares de pessoas viajam até Madison nas últimas semanas, enfrentando inverno brutal. “O que fazem lá, parados na rua, com vento, com neve?” Afinal... houve eleições em novembro, todos votaram... O que mais podem desejar?!”. “Está acontecendo algo em Madison. Que diabo está acontecendo lá? Quem sabe?”

O que está acontecendo é que os EUA não estão falidos. A única coisa que faliu nos EUA foi a bússola moral dos governantes. Viemos para consertar a bússola e assumir o timão para levar o barco, agora, nós mesmos.

Nunca esqueçam: enquanto existir a Constituição, todos são iguais: cada pessoa vale um voto. Isso, aliás, é o que os ricos mais detestam por aqui. Porque, apesar de eles serem os donos do dinheiro e do baralho e da mesa da jogatina, um detalhe eles não conseguem mudar: nós somos muitos e eles são poucos!

Coragem, Madison, força! Não desistam!

Estamos com vocês. O povo, unido, jamais será vencido.

http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/03/nao-queremos-ser-os-estados-dos.html

terça-feira, 8 de março de 2011

AS LEIS DE IMIGRAÇÃO, AMPLIFICADAS PELA MÍDIA, NUTREM A PARALISIA PELO MEDO

Cristina R. Duran
O medo como instrumento de opressão e controle e a manipulação da mídia como ferramenta para a sua difusão estão na base dos vídeos On Translation: Fear/Miedo e On Translation: Miedo Jauf, apresentados na Estação Pinacoteca dentro da exposição Muntadas >> Espaço >> Controle, do artista catalão residente em Nova York Antoni Muntadas. Ambos tratam da dureza das políticas de imigração, dos sentimentos que elas geram e como são amplificadas na imprensa minando a auto-estima, a confiança e as possibilidades daqueles que procuram uma vida melhor em outros país. A não perder: a mostra permanece em cartaz até 8 de maio.

Em On Translation: Fear/Miedo, realizado em 2005 na fronteira entre os Estados Unidos e o México, mais precisamente em San Diego e Tijuana, Muntadas analisa a retórica que constrói e sustenta a fronteira, intercalando depoimentos tomados dos dois lados da divisa, a respeito dos sentimentos em relação ao desconhecido. Pelos depoimentos fica claro que ultrapassar o medo - amplificado pela burocracia, dificuldades geradas pelas leis e ecoado pela imprensa -- é a etapa mais difícil e dolorosa do percurso. Os austeros controles de vigilância vão além da condição de segurança tão alardeada pelos americanos desde o 11 de setembro. Eles existem desde muito antes disso. São estudadamente cruéis e quase derrotam os imigrantes antes de tentar dar o passo em frente. A língua, nestes casos, é mais um instrumento aterrorizador e de domínio já que ninguém se preocupa em falar outro idioma a não ser o inglês.

Na mesma linha, On Translation: Miedo Jauf, gravado em 2006 e 2007, traz o depoimento de mais de 30 pessoas localizadas em Tarifa e Tanger, o limite entre a Espanha e o Marrocos conhecido como Estreito de Gibraltar. Nele, o artista foca os entraves gerados pelas decisões políticas que afetam ambos os territórios e desembocam em leis de imigração quase impossíveis de cumprir. Uma vez mais, aflora o sentimento de medo nos depoimentos, derrubando qualquer possibilidade de construção de uma ponte cultural e solidária entre os dois povos. Ao contrário, ao ecoar amplamente a "audácia" dos imigrantes que tentam driblar as leis, a mídia alimenta ainda mais o preconceito e o medo das populações. As pessoas passam a ser vistas como inimigos e não como alguém que poderia somar na sociedade.

Em ambos os vídeos, a discussão desemboca em algo parecido com o debate sobre as leis que proíbem as drogas e acabam alimentando a indústria do tráfico dessas substâncias, gerando mortes, conflitos e violência. As conseqüências das leis de imigração são as mesmas, estimulando o tráfico de seres humanos e, igualmente, mortes, conflitos e violência. Sem contar o tremendo golpe na auto-estima destas populações remetendo-as à impossibilidade de lutar por um vida melhor.

terça-feira, 1 de março de 2011

RAQUEL RIGOTTO : A HERANÇA MALDITA DO AGRONEGÓCIO

Manuela Azenha
agencia Vi o Mundo

"O uso dos agrotóxicos não significa produção de alimentos, significa concentração de terra, contaminação do meio ambiente e do ser humano”

Raquel Rigotto é professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Coordenadora do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, Raquel contesta o modelo de desenvolvimento agrícola adotado pelo Brasil e prevê que para as populações locais restará a "herança maldita” do agronegócio: doenças e terra degradada.

Desde 2008, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos para se tornar o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, é também o principal destino de agrotóxicos proibidos em outros países.

Na primeira parte da entrevista, Raquel fala sobre o "paradigma do uso seguro” dos agrotóxicos, que a indústria chama de "defensivos” agrícolas. De um lado todo mundo sabe que eles são nocivos. De outro se presume que haja um "modo seguro” de utilizá-los. O aparato legislativo existe. Mas, na prática… Raquel dá um exemplo: o estado do Ceará, que é onde ela atua, não dispõe de um laboratório para fazer exames sobre a presença de agrotóxicos na água consumida pela população. Ela começa dizendo que em 2008 e 2009 o Brasil foi campeão mundial no uso de venenos na agricultura.

Na segunda parte da entrevista, Raquel diz que os agrotóxicos contribuíram mais com o aumento da produção de commodities do que com a segurança alimentar. Revela que cerca de 50% dos agrotóxicos usados no Brasil são aplicados na lavoura da soja. Produto que se tornará ração animal para produzir carne para os consumidores da Europa e dos Estados Unidos. Diz que o governo Lula financiou o agronegócio a um ritmo de 100 bilhões de reais anuais em financiamento — contra 16 para a agricultura familiar — e que foi omisso: não mexeu na legislação de 1997 que concedeu desconto de cerca de 60% no ICMS dos agrotóxicos. Enquanto isso, o Sistema Único de Saúde (SUS) está completamente despreparado para monitorar e prevenir os problemas de saúde causados pelos agrotóxicos.

Na terceira parte da entrevista Raquel diz que Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nem sempre tem apoio dentro do próprio governo para tratar do problema dos agrotóxicos. Afirma que é tarefa de pesquisadoras como ela alertar o governo Dilma para a gravidade do problema, já definida por pesquisadores como uma "herança maldita” que as grandes empresas do agronegócio deixarão para o Brasil; doenças, terras degradadas, ameaça à biodiversidade. Ela lembra que o rio Jaguaribe, que corta áreas de uso intensivo de agrotóxicos, é de onde sai a água para consumo da região metropolitana de Fortaleza.

Transcrição da entrevista:


Viomundo – O Brasil continua sendo o maior consumidor de agrotóxicos do mundo?

Raquel Rigotto - Os dados de 2008 e 2009 apontaram isso, eu não vi ainda os de 2010. Mas nos anos anteriores tivemos esse triste título.

V – Por que a senhora acha que o Brasil vai nesse contra-fluxo? Os Estados Unidos e a UE proibindo o uso de agrotóxicos e o Brasil aumentando o consumo?

RR - É um fenômeno que tem muito a ver com o contexto da reestruturação produtiva, inclusive da forma como ela se expressa no campo. Nós estamos tendo na América Latina, como um todo, uma série de empreendimentos agrícolas que se fundam na monocultura, no desmatamento, são cultivos extensivos, de área muito grande, então isso praticamente obriga a um uso muito intenso de agrotóxicos. Então tem a ver com a expansão do chamado agronegócio na América Latina, como um todo.

V – Existem pesquisas que comprovam os malefícios dos agrotóxicos?

RR – Sim, os agrotóxicos antes de serem registrados no Brasil, eles são analisados pelo Ministério da Saúde, da Agricultura e do Meio Ambiente e eles são classificados de acordo com sua toxicidade para a saúde humana e de acordo com o seu impacto para o meio ambiente. Então desde o começo, quando eles são registrados, a gente já sabe que eles são produtos nocivos. Isso já vem descrito nas monografias que as próprias indústrias fabricantes apresentam para os órgãos dos governos. Aqueles que são classificados como grupo 1, por exemplo, do ponto de vista da toxicidade para a saúde humana, são aqueles que são extremamente tóxicos, depois vêm os altamente tóxicos e os moderadamente tóxicos ou os pouco tóxicos.

Já sabemos desde o início que são substâncias nocivas à vida e têm impacto não só sobre as pragas mas sobre as pessoas e os ecossistemas. Agora, para além disso nós temos uma larga gama de estudos mostrando os impactos ambientais dos agrotóxicos, as contaminações de água, de ar, de solo, de redução da biodiversidade, de contaminação de alimentos, e também do ponto de vista da saúde humana, que vai desde a intoxicação aguda até os chamados efeitos crônicos.

V – Se a nocividade desses produtos é algo comprovado, por que eles não são banidos?

RR - Na verdade, o que se construiu foi o que a gente chama de paradigma do uso seguro. Quer dizer, se reconhece que háuma nocividade mas também se propõe estabelecer condições para o uso seguro. Aí você tem limitações desde os tipos de cultivos em que cada produto pode ser usado, o limite máximo de tolerância dele no ambiente de trabalho, até mesmo na água de consumo humano, o tipo de equipamento de proteção que deve ser fornecido aos trabalhadores e também a informação que eles devem ter.

Você tem um amplo aparato legislativo que criaria condições para um suposto uso seguro desses produtos. Mas a partir das experiências nossas aqui de cultivo na fruticultura irrigada para exportação no Ceará, a gente vem questionando muito se existe esse uso seguro. Por exemplo, o governo estadual, que tem o órgão estadual de meio ambiente, que deteria a atribuição de acordo com a legislação federal de monitorar os impactos ambientais dos agrotóxicos, não dispõe de um laboratório que seja capaz de identificar a contaminação da água por agrotóxicos. Na pesquisa, enviamos as amostras para Minas Gerais porque no Ceará não tem órgãos públicos que o façam. E nem mesmo no setor privado tem instituições de segurança. E existem uma série de outras evidências de que essas condições do uso seguro não estão vigendo.

V – Hoje o mundo precisa dos agrotóxicos?

RR – Vivemos um discurso de que os agrotóxicos redimiriam o mundo da fome. Isso nós experimentamos historicamente e própria ONU e a FAO reconhecem que houve o aumento da produção daquilo que chamamos hoje de commodities, como a soja, o açúcar, a cana, mas isso não implicou segurança alimentar e redução dos padrões de desnutrição e subnutrição entre os mais pobres. Ampliou-se a produção dessas commodities mas sequer a gente pode chamá-las de alimentos porque o problema da fome persiste.

Quem produz alimentos, quem produz comida realmente no Brasil, é a agricultura familiar. No ano de 2008, mais de 50% dos agrotóxicos consumidos no Brasil foi nas plantações de soja. Essa soja é em grande parte exportada para ser transformada em ração animal e subsidiar o consumo europeu e norte-americano de carne. Então isso não significa alimentação para o nosso povo, significa concentração de terra, redução de biodiversidade, contaminação de água, solo e ar e contaminação dos trabalhadores e das famílias que vivem no entorno desses empreendimentos. Além das enormes perdas para os ecossistemas, o cerrado, a caatinga e até mesmo o amazônico, que está sendo invadido pela expansão da fronteira agrícola.

Então é claro que deixar de usar agrotóxico não é algo que se possa fazer de um dia para o outro, de acordo com o que os agrônomos têm discutido, mas por outro lado nós temos muitas experiências extremamente positivas de agroecologia, que é a produção de alimentos utilizando conhecimentos tradicionais das comunidades e saberes científicos sensíveis da perspectiva da justiça sócio-ambiental. Esses sim, produzem qualidade de vida, bem viver, soberania e segurança alimentar, e conservação e preservação das condições ambientais e culturais.

V - Como a senhora avalia a política do governo Lula em relação aos agrotóxicos?

RR – O governo Lula teve um papel muito importante na expansão do agronegócio no Brasil. Para dar dados bem sintéticos, o financiamento que o governo disponibilizou para o agronegócio anualmente foi em torno de 100 bilhões de reais e para a agricultura familiar foi em torno de 16 bilhões de reais. Então há um desnível muito grande.

O governo Lula foi omisso em relação às legislações vigentes no Brasil desde 1997, que concedem uma isenção de 60% do ICMS para os agrotóxicos. Ou seja, existe um estímulo fiscal à comercialização, produção e uso dos agrotóxicos no país. Isso, evidentemente, atrai no espaço mundial investimentos para o nosso país, investimentos que trabalham com a contaminação. Também poderíamos falar das políticas públicas, continuamos com o Sistema Único de Saúde, que apesar de ser da maior importância enquanto sistema de universalidade, equidade, participação e integração, ainda é um sistema completamente inadequado para atender a população do campo.

Ainda é um sistema cego para as intoxicações agudas e os efeitos crônicos dos agrotóxicos. E com raríssimas exceções nesse enorme país, é um sistema que ainda não consegue identificar, notificar, previnir e tratar a população adequadamente. Existe uma série de hiatos para a ação pública que precisam ser garantidos para que se possa respeitar a Constituição Federal no que ela diz respeito ao meio ambiente e à saúde.

V – Alguns agrotóxicos têm sido revistos pela ANVISA. Como esse processo tem corrido?

RR – A ANVISA pautou desde 2006, se não me engano, a reavaliação de 14 agrotóxicos. Segundo estudos inclusive dos próprios produtores, as condições relatadas no momento do registro tinham se alterado e, portanto, pensaram em reavaliar as substâncias. Esse processo vem correndo de forma bastante atropelada porque o sindicato da indústria que fabrica o que eles chamam de "defensivos agrícolas”, utiliza não só de suas articulações com o poder político no Senado Federal, com a bancada ruralista, mas também de influências sobre o Judiciário, e gerou uma série de processos judiciais contra a ANVISA, que é o órgão do Ministério da Saúde responsável legalmente por essas atribuições. Mas alguns processos já foram concluídos.

V – A senhora acha que essa reavaliação pode ser vista como um avanço na política nacional?

RR – A ANVISA é um órgão que tem lutado com competência para cumprir aquilo que a legislação exige que ela faça mas às vezes ela tem encontrado falto de apoio dentro dos próprios órgãos públicos federais. Muitas vezes o próprio Ministério da Agricultura não se mostra comprometido com a preservação da saúde e do meio ambiente como deveria, a Casa Civil muitas vezes interfere diretamente nesses processos, o Ministério da Saúde muitas vezes não tem compreensão da importância desse trabalho de reavaliação dos agrotóxicos. A ANVISA é uma das dimensões da política pública, no que toca às substâncias químicas, que vem tentando se desenvolver de maneira adequada, mas com muitos obstáculos. No contexto mais geral, a gente ainda enxerga poucos avanços.

V – As perspectivas daqui pra frente, no governo Dilma, não trazem muita esperança, então…

RR – Acho que vamos ter a tarefa histórica, enquanto pesquisadores, movimentos sociais e profissionais da saúde, de expor ao governo Dilma as gravíssimas implicações desse modelo de desenvolvimento agrícola para a saúde da população como um todo. Porque não são só os agricultores ou os empregados do agronegócio, os atingidos por esse processo. Aqui no nosso caso [do Ceará], por exemplo, o rio que banha essas empresas e empreendimentos, que é o rio Jaguaribe, é o mesmo cuja água é trazida para Fortaleza, para abastecer uma região metropolitana de mais de 5 milhões de pessoas. Essa água pode estar contaminada com agrotóxicos e isso não vem sendo acompanhado pelo SUS.

Nós temos toda a questão das implicações da ingestão de alimentos contaminados por agrotóxicos na saúde da população. Em que medida esse acento dos cânceres, por exemplo, na nossa população, como causa de morbidade e de mortalidade cada vez maior no Brasil, não tem a ver com a ingestão diária de pequenas doses de diversos princípios ativos de agrotóxicos, que alteram o funcionamento do nosso corpo e facilitam a ocorrência de processos como esse, já comprovado em diversos estudos. Então é preciso que o governo esteja atento.

Nós temos uma responsabilidade de preservar essa riqueza ambiental que o nosso país tem e isso é um diferencial nosso no plano internacional hoje. Não podemos deixar que nossa biodiversidade, solos férteis, florestas, clima, luz solar, sejam cobiçados por empresas que não têm critério de respeito à saúde humana e ao meio ambiente quando se instalam naquilo que elas entendem como países de terceiro mundo ou países subdesenvolvidos.

V – Por que o Brasil com tamanha biodiversidade, terra fértil e água necessita de tanto agrotóxico?

RR – Porque a monocultura, que é a escolha do modelo do agronegócio, ao destruir a biodiversidade e plantar enormes extensões com um único cultivo, cria condições favoráveis ao que eles chamam de pragas, que na verdade são manifestações normais de um ecossistema reagindo a uma agressão. Quando surgem essas pragas, começa o uso de agrotóxico e aí vem todo o interessa da indústria química, que tem faturado bilhões e bilhões de dólares anualmente no nosso país vendendo esse tipo de substância e alimentando essa cultura de que a solução é usar mais e mais veneno.

Nós temos visto na área da nossa pesquisa, no cultivo do abacaxi, eram utilizados mais de 18 princípios ativos diferentes de agrotóxicos para o combate de cinco pragas. Depois de alguns anos, a própria empresa desistiu de produzir abacaxi porque, ainda que com o uso dos venenos, ela não conseguiu controlar as pragas. Então é um modelo que, em si mesmo, é insustentável, é autofágico. As empresas vêm, degradam o solo e a saúde humana e vão embora impunemente. Fica para as populações locais aquilo que alguns autores têm chamado de herança maldita, que é a doença, a terra degradada, infértil e improdutiva.